terça-feira, 11 de novembro de 2014

Rádio Cidade derrubou uma concorrente. E não foi a Kiss FM


Quem realmente ouve a Rádio Cidade? Roqueirões da pesada vestidos de jaqueta e pilotando motocicletas envenenadas? Alternativões da gema dotados da visão filosoficamente pessimista do mundo? Rebeldões raivosos de cabeça raspada que vivem de mal com o "sistema"?

Nenhum deles. A realidade mostra que o público que ouve a Rádio Cidade e aceita alguns sucessos manjados do rock e bandas mais comerciais do gênero nem de longe representa o público especializado em rock, mas tão somente um público que, de vez em quando, alimenta suas catarses com guitarras distorcidas e vozes guturais, mas sem ir fundo no "espírito do rock'n'roll".

A constatação se deu com a crise que atinge, pelo menos, quatro FMs ligadas ao pop convencional, sendo uma delas, a popularesca Beat 98, prestes a sair de sintonia na próxima semana, dando lugar a uma nova frequência da "Rádio Globo AM" FM, que deixará os 89,5, cujo destino não foi divulgado até agora.

Ela se deu depois que a Rádio Cidade voltou, depois de um bom tempo como OI FM, Jovem Pan 2 e 102,9 FM. A emissora voltou não adotando a linha assumidamente pop que a consagrou, mas o mesmo perfil "roqueiro" que havia "queimado" a rádio em 2006. Essa fase voltou com todos os defeitos e equívocos cometidos.

O sucesso que a emissora está tendo - que, na verdade, não é tanto assim, se observarmos que os institutos de pesquisa atribuem às emissoras FM uma audiência em média 60 vezes maior do que a real - se deve não pela conquista de um público especializado em rock, mas pela absorção de ouvintes de FMs convencionais.

Isso desmente claramente a reputação da Rádio Cidade como "roqueira", fazendo com que todas as tentativas de colocá-la na ciranda mercadológica das rádios de rock sérias seja em vão. Na prática, a Cidade continua tendo a mesma mentalidade e linguagem de qualquer rádio pop convencional, sem qualquer relação com o perfil roqueiro.

Isso é tão certo que a Rádio Cidade fez a primeira vítima numa rádio bem popularesca, a Beat 98, que tocava "funk" e "pagode romântico" e emendava com hip hop e pop dançante norte-americano. Um ex-coordenador da rádio foi justamente comandar a programação da Cidade. Ironicamente, a Beat 98 havia sido a "casa" dos ex-Cidade Rhoodes Dantas e Paulo Becker.

Diante do "fenômeno" Rádio Cidade - que se destaca mais pela linguagem animada de locutores do que de qualquer alusão ao rock - , outras rádios começam a sofrer uma discreta crise, como indicam rumores divulgados nas mídias sociais.

A Mix FM e Sul América Paradiso, duas franquias financiadas por Luciano Huck, em parceria com Luiz Calainho e Alexandre Accioly, começam a sofrer uma crise, já que não conseguem repercutir de maneira desejada, apesar da onipresença publicitária que envolve sobretudo a Mix.

Já a Rede Transamérica, por sua vez, há muito tempo não consegue ter um índice expressivo de audiência, em todo o país, e hoje não passa de uma sombra do que a rádio foi nos anos 80. Aparentemente, a rádio parece remanescente das antigas FMs oitentistas mas hoje, parcialmente entregue ao "Aemão" esportivo, a rádio decaiu completamente.

Hoje a Transamérica não é mais do que uma rádio de aluguel, arrendada por DJs e por dirigentes esportivos. E, apesar do cartaz que ela mantém nas colunas e fóruns de rádio e de seus (pouquíssimos) ouvintes sintonizarem a emissora em volumes altíssimos, a audiência e a reputação são baixíssimas.

Portanto, essas notícias comprovam que a Rádio Cidade não faz parte da ciranda mercadológica do radialismo rock - a gente até pergunta se o nome "rock" não é elipse para "Rock In Rio" - , mas da ciranda das rádios pop convencionais. Rádio Cidade, o teu passado não nega.

Um comentário:

  1. Cara, você não sabe nada de rádio.., seu nível de achismo é o que te move. A Cidade não derrubou a Beat... Você não sabe nada do que estava acontecendo dentro do SGR...

    ResponderExcluir