segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ouvinte revoltado com transmissão futebolística da Rádio Globo

Ontem à noite, num hipermercado da zona norte do Rio de Janeiro, um lojista sintonizou diversas rádios numa grande e potente caixa de som amplificada, com receptor FM embutido. Por alguns minutos, deixou na Rádio Globo, que na hora transmitia uma partida entre Flamengo e Botafogo pelo Campeonato Brasileiro de Futebol. Um cliente da loja parou junto ao aparelho apenas para ouvir o placar, que na hora estava em 1 a 0 (mais tarde o placar final da partida) favorável ao Flamengo. Só que o locutor Luiz Penido narrava vários lances e falava muita coisa, sem dizer o placar. Daí que o cliente da loja ficou revoltado. Esbravejou, falando algo como "Essa rádio é uma m*%#@! O cara fala pra c@*%#% e não dá a p*##@ do placar!". Demorou vários minutos até que dessem o placar do jogo. Isso lá pros 20 minutos de segundo tempo.

De fato, as transmissões futebolísticas da Rádio Globo são uma lástima. Desde que instalaram o maldado projeto da rede, e mesmo agora, que tentam restaurar a programação local da Rádio Globo. Muito entretenimento, muita gracinha, comentaristas ruins, pouca informação. Mal dão o placar dos jogos, a informação mais importante numa partida de futebol!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Rádio Cidade e 89 FM não apostam em renovação no rock brasileiro

LOS HERMANOS VIROU A BANDA DA MODA A SER COPIADA PELAS BANDAS DIVULGADAS PELAS DUAS "RÁDIOS ROCK".

O tipo de radialismo rock adotado, de maneira caricatural, pelas emissoras Rádio Cidade (RJ) e 89 FM (SP) não tem o menor compromisso com a cultura rock de qualidade, seja pela mentalidade estritamente comercial que estabelece sérias restrições ao gênero, seja pela falta de personalidade das duas rádios, no fundo meras FMs pop dotadas de um vitrolão tido como "roqueiro".

Até agora, as duas rádios não divulgaram sequer qualquer cenário de renovação do rock brasileiro. E podemos fazer uma comparação com a Fluminense FM de 1982 e a 89 FM de dezembro de 2012 para cá, para verificarmos a gravidade dessa situação.

Quem acompanhou a história da Fluminense sabe que a emissora surgiu em março de 1982 e que, em seis meses, já divulgava uma boa leva de bandas de qualidade que representaram novidade e renovação no cenário musical. O Rock Voador já era um projeto adotado por volta de outubro, já com pelo menos uns seis artistas conhecidos através da programação da rádio niteroiense.

Detalhe. Não havia Internet, o trânsito de informações era mais lento, a Fluminense era considerada pouco experiente - seus experimentos em programação rock só foram para valer em 1982, apesar da fase experimental em 1981 - e, mesmo assim, a emissora acertou de primeira, já que as bandas da época, como Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho, são prestigiadas até hoje.

Já em 1983, bandas como Legião Urbana e Capital Inicial começavam a ser amplamente divulgadas pela rádio niteroiense, que chegava em 1985 e 1986 dando mais espaço ao rock paulistano do que a 89 FM de São Paulo, surgida em 1985 como uma versão "comportada", despolitizada e muito menos ousada da Fluminense FM, e que era corretinha antes de assumir de vez o QI pop de 1989 (!) até hoje.

Já a 89 FM, ressuscitada pelo lobby publicitário em dezembro de 2012, até agora não foi capaz de lançar uma cena musical de primeira, não teve faro suficiente para lançar bandas com diferencial. Até agora, além da continuidade do rock comercial e abobalhado dos anos 1990-2000, a rádio só divulga, e mesmo assim com alguma timidez, uma mera leva de imitadores.

A Rádio Cidade segue o mesmo caminho, e agora que ela será coordenada por um ex-locutor da Beat 98 - que entende tanto de rock quanto o humorista e político Tiririca entende de tecnologias de exploração espacial - , não se espere que um novo Renato Russo mostre suas primeiras composições sob as ondas da rádio.

Depois dos imitadores de Raimundos e Charlie Brown Jr. e das bandas "emo" menos andróginas e másculas tipo CPM 22 - anterior ao "emo às últimas consequências" de Restart, Cine e companhia - , a moda agora é imitar Los Hermanos, deturpando o bom e criativo rock com tons de MPB do grupo de Marcelo Camelo a um roquinho preguiçoso e mulambento.

Criou-se até a fórmula para os imitadores de Los Hermanos: bandas com vocalista barbudo, com olhar de cansado, vocal preguiçoso e letras que banalizam a melancolia e os problemas existenciais para uma pseudo-poesia oca e tragicômica. Letras e vocais que parecem ter sido feitos por alguém que acabou de se levantar da cama, depois de uma pesada noite de sono.

Paralelamente a isso, há bandas de rock skatista ditas de "hardcore" - há a grafia pejorativa do "rardicór" para questionar esse rótulo - cujas letras de "contestação social" são tão vagas que o ouvinte não tem a menor ideia do que elas realmente contestam.

Aí veio também outra moda, a de escrever letras dizendo para as pessoas tomarem cuidado, ou para elas agirem, mas não há um questionamento substancial, não se sabe para quê se deve agir ou que problema nos está à frente. Qual é o sentido do "sentido" que fala a letra, que poderes teremos que questionar, nada disso é questionado. E a revolta se limita a poses e clichês.

É lamentável que, para o rock voltar ao mercado, tenhamos que depender de duas rádios comerciais sem a menor intimidade nem vocação para o rock. E que mostraram que no fundo elas veem a cultura rock como uma piada, tratando o gênero de forma preconceituosa, caricata e estereotipada bem ao gosto de rádios pop convencionais, que no fundo a 89 e a Cidade se limitam a ser.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Notícias desmacaram supostas "rádios rock" de RJ e SP

VAN DAMME (EX-BEAT 98 E RPC FM) PASSA A COMANDAR RÁDIO CIDADE E TATOLA GODAS DA 89 FM SEGUE OS PASSOS DO PÂNICO DA PAN

As ditas "rádios rock" Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e 89 FM, de São Paulo, já disseram a que vieram em novidades anunciadas nos últimos dias, e que deixam cair a máscara de "roqueiras" que nunca passou de uma grande lorota publicitária.

No último fim de semana, a Rede TV! contratou a equipe do programa humorístico da 89, "Quem Não Faz Toma", que inclui o próprio coordenador da rádio, Tatola Godas (aquele que se achava "o maior punk de São Paulo"). O grupo terá um humorístico transmitido pela rede televisiva.

Para quem não sabe, é o mesmo caminho traçado há vários anos atrás pela equipe do programa Pânico da Pan, da Jovem Pan 2, que também começou a escalada televisiva criando uma versão do humorístico na Rede TV!.

Na Rádio Cidade, a notícia é a contratação do radialista Marco Aurélio Teles, o Van Damme, ex-radialista da rádio popularesca Beat 98 (que havia contratado os ex-Cidade Rhoodes Dantas e Paulo Becker), para coordenar a programação dita "roqueira" da rádio. Van Damme também fez parte da rádio pop RPC FM.

O irônico é que a Beat 98 tem no seu cardápio musical os mesmos funqueiros e pagodeiros-românticos que eram "hostilizados" pelos adeptos da Rádio Cidade, um sinal de pura incoerência e do habitual vira-casaquismo tão comum nesse pessoal.

Para coordenar rádios como a 89 e a Cidade, não é preciso entender de rock. Aliás, rock não é tratado como coisa séria por essas duas rádios que usam e abusam do rótulo "rock". Para fazer uma programação dessas, a própria indústria fonográfica já monta o repertório musical previamente, com seus hits e músicas de trabalho. Os programadores já recebem o "prato feito".

Com essas duas notícias, a Rádio Cidade e a 89 FM põem por terra abaixo qualquer chance de serem vinculadas à cultura rock de verdade, uma vez que nem personalidade de rádios de rock elas têm, porque rádio de rock não é aquela que só toca rock. Se fosse assim, qualquer jukebox seria "rádio de rock" se tiver só alguns discos do gênero.

As duas FMs tentam se desvincular da ciranda das rádios de pop dançante e popularescas que fazem a cabeça do público juvenil, mas esse esforço fica em vão, apesar do lobby publicitário favorável a essa manobra. Isso porque a publicidade é o reduto da mentira, do discurso falsificador, feito apenas para vender e faturar. Publicidade é ilusão. Coerência e marketing dificilmente andam de mãos dadas.