terça-feira, 3 de junho de 2014

Defensores da Rádio Cidade se perdem em nervosismo e contradições


Vendo no Facebook, a reação nervosa dos defensores da fase "roqueira" da Rádio Cidade, retomada há alguns meses, preocupa. Afinal, a emissora, a exemplo da 89 FM em São Paulo, foi marcada pelo fanatismo de seus defensores abertamente reacionários e irritadiços, a ponto das duas rádios serem as primeiras a mostrarem casos de trolagem na Internet.

As duas emissoras deturparam a cultura rock num perfil caricato, estereotipado que agora tornou-se "institucionalizado". Seus defensores agora falam até em "duas culturas rock", como se houvessem dois rocks, um é o "velho, antiquado e intransigente" hoje simbolizado pela Kiss FM, outro "moderno e contemporâneo" adotado pela 89 e Cidade.

Só que essa desculpa só existe no Brasil e, apesar do pretexto de "modernidade", a 89 e a Cidade demonstram uma clara noção de provincianismo, sobretudo por defensores fanáticos que julgam a cultura rock de acordo com seus umbigos.

Sem conseguirem argumentar de forma consistente, os defensores das duas rádios reagem com fúria e com ataques na Internet. Isso porque se acham "superiores" no seu julgamento que tem muito mais a ver com aquele "radialismo de escritório" que lida com números mortos, gráficos e estratégias comerciais, mas não com a realidade do Brasil e do mundo à volta.

Pelo contrário, o que se observa é que os fanáticos reacionários da 89 e Cidade esnobam o mundo, ficam presos no tempo e no espaço e querem que o mundo se submeta ao que só eles pensam e acreditam. Eles não têm paciência em admitir que o mundo hoje não tem a ver com o quartinho infantilizado do "roqueirinho" da 89 e Cidade, o planeta não tem o tamanho de seu umbigo.

Noto que os ataques, a irritação desses fanáticos pseudo-roqueiros se devem por uma série de contradições que seus argumentos desesperados e, muitas vezes, sem muita coerência, surgem e que eles são incapazes de resolver, sobretudo em relação apenas à Rádio Cidade.

A Rádio Cidade se consagrou como emissora pop, e seu pretensiosismo "roqueiro" bastante surreal, contrário à sua história, é atropelado por uma série de fatores que seus adeptos fanáticos não podem esclarecer. E por isso as xingações, a irritação, o medo do "fantasma de 2006" rondar a emissora.

Eu observo a realidade - é incrível como raciocinar virou tabu nas mídias sociais - e já vi muitas pessoas que ouviam rádios como Mix FM, Beat 98, Nativa FM e Transamérica sintonizarem a Cidade. Um público entre o brega e o pop dançante. Paciência e isso vai contra a ilusão publicitária de que a rádio é ouvida por "roqueirões da pesada" munidos de skates e motocicletas.

Para piorar, os argumentos confusos dos "roqueiros" da Cidade apelam, por um lado, para o fato da rádio "não ser mais pop" e, de outro, pelo fato de que a rádio "não ter compromisso para tocar certas tendências do rock". Caem em violenta contradição e transformam a Cidade numa rádio que segue o ditado "não f*** nem sai de cima". Algo como um Ford 1929 correndo na Fórmula Indy.

A Rádio Cidade nem tem estado de espírito roqueiro. Não tem mentalidade nem know how de rock. Sua programação é montada pelas gravadoras, sua linguagem é rigorosamente igual ao de qualquer rádio poperó que a Cidade evita qualquer comparação. Mas os anunciantes sabem muito bem dessa semelhança. Cidade e Mix FM parecem gêmeas siamesas.

Tudo é justificado pelos interesses comerciais, como se isso fosse suficiente. Mas é justamente isso que os executivos de televisão fazem para defender as baixarias televisivas. E aí pinta o nervosismo desses fanáticos ao saber que o mundo não é como os departamentos comerciais das rádios acreditam existir.

Eles falam que a Cidade "mudou", mas é essa "mudança" que soa muito mais conservadora, porque é aquele princípio de "mudar para permanecer a mesma coisa". Se a Cidade continuasse pop, talvez acompanhasse melhor as mudanças ocorridas no tempo com o pop. Talvez perdesse o preconceito contra o pop vendo que ele não é só Backstreet Boys e Britney Spears.

Pelo contrário, se há muito engodo no pop, começam a surgir coisas interessantes: Lorde, Ellie Goulding, Daft Punk, Bruno Mars, Ed Sheeran, e até mesmo o "popão" Robin Thicke soa divertido dentro de suas perspectivas. Gente que parece bem mais instigante que certos "engraçadinhos" do rock noventista que a Cidade (e a 89 FM) tocam pela enésima vez como se fosse "novidade".

Fico muito preocupado com o reacionarismo habitual dos fanáticos da Rádio Cidade. Gente que não quer saber de coerência. No fundo, são pessoas que sempre odiaram a Rádio Cidade e queriam uma rádio só para eles. São pessoas que odeiam rock, odeiam pop, odeiam tudo, e só querem uma rádio para estimular suas catarses emocionais. Nada que seja sério.

Por isso a rebeldia sem causa que se transforma em reacionarismo preocupante - desses que fazem o reacionarismo de Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo parecerem suaves - dos ouvintes da Cidade causam muita apreensão.

Narcisistas, intolerantes e irritadiços, eles desprezam o mundo, a mudança dos tempos, as transformações sociais. Hoje a Cidade (e a 89) é considerada antiquada até para os níveis de rádio de rock contemporâneo. Lá não existe questões de rock novinho versus rock antigo, já que muito do rock dos anos 90 e 2000 é claramente inspirado no rock dos anos 60 e 70.

A irritabilidade desses defensores das duas rádios (Cidade e 89) pode se voltar até contra as duas rádios, como ocorreu em 2006, quando as duas deixaram o rock com a repercussão intolerante e furiosa de seus adeptos, que fizeram queimar o mercado de radialismo rock durante muito tempo.

Daí que os fanáticos da Cidade e da 89 deveriam se preocupar com eles mesmos. Afinal, é sua irritabilidade e suas xingações contra quem não pensa igual a eles, bem mais do que qualquer crítica que as duas rádios recebam na Internet, que irá queimá-las mais uma vez. E da próxima vez poderá não haver volta.

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