segunda-feira, 31 de março de 2014

"Rede da Democracia": Rádios Globo, Tupi e JB defenderam o golpe militar

O ENTÃO GOVERNADOR DA GUANABARA, JORNALISTA CARLOS LACERDA, EMPRESTAVA SEU DISCURSO INFLAMADO A OUTROS VEÍCULOS DA MÍDIA.

Quem tivesse a capacidade de recordar os acontecimentos de 1963-1964, verá que muita gente defendia o golpe militar que, em 01 de abril de 1964 - mas oficialmente creditada a um dia antes - , tirou do poder o presidente João Goulart.

A lista era coisa de arrepiar. Nomes como Carlos Heitor Cony, Alberto Dines, Rachel de Queiroz, Augusto Frederico Schmidt, Fernando Sabino, Rubem Fonseca, César de Alencar, Hebe Camargo, Carlos Drummond de Andrade estavam envolvidos em campanhas para tirar João Goulart da presidência da República.

Isso para não dizer os então "anônimos" Fernando Collor, Mário Kertèsz e Jaime Lerner, golpistas de arquibancada. Eles hoje passam a falsa imagem de "progressistas", sob o consentimento do PT, mas eram jovens que queriam o "fora Jango", se empolgando em ver algum general no Palácio do Planalto. Os pais de Collor, Arnon de Mello e Leda Collor, militavam no IPES-IBAD.

A defesa do golpe militar, naqueles tempos, era vista por muitos como uma necessidade, e por outros como uma utopia na qual o governo, então imaginado provisório, das Forças Armadas, iria combater a corrupção que supostamente se atribuía aos bastidores do governo Jango.

Na verdade, isso era uma desculpa para combater um presidente cujos projetos de governo estabeleciam sérios limites para o grande empresariado e para os grandes proprietários de terras, além de fazer com que o Brasil estabeleça uma autonomia político-econômica em relação à supremacia dos EUA, naqueles tempos de Guerra Fria entre a nação norte-americana e a antiga URSS.

Uma das campanhas feitas em oposição a Jango foi a Rede da Democracia. Articulada em 1963 pelos empresários Roberto Marinho, Assis Chateaubriand e Nascimento Brito, respectivamente das Organizações Globo, Diários Associados e Sistema Jornal do Brasil, ela também era apoiada pelos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, Rádio Bandeirantes e outros veículos midiáticos.

No Rio de Janeiro, destacava-se as campanhas feitas pela Rádio Globo, Super Rádio Tupi e Rádio Jornal do Brasil, entre outras, para desqualificar Jango e adotar a solução do golpe militar para "resolver a bagunça". A mesma histeria reacionária observada em Veja e que, nos anos 60, já tinha o verniz "racional" difundida nos "institutos" IPES-IBAD, era o tom de todo seu conteúdo.

Havia entrevistas, discursos, propagandas, seja no rádio, na TV, nos jornais, nas revistas. A Rede da Democracia era a resposta à antiga Rede da Legalidade que o então governador gaúcho Leonel Brizola havia articulado em 1961 para pedir a posse de João Goulart garantida pela Constituição da época, a de 1946.

Da TV Tupi ao jornal O Globo, havia toda uma pregação moralista e golpista. E um dos convidados especiais para a festa direitista era o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, que era um dos que mais queriam ver Jango destituído do poder.

As rádios conseguiram repercutir a campanha, já reforçada em março de 1964 pelas diversas "marchas da família" movidas a partir de São Paulo, e que convenceram a sociedade da época a defender o golpe militar. A grande mídia e seus chefões ajudaram muito na derrubada de um governo popular e na construção de uma ditadura que arruinou o Brasil.

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