domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mesmo com Rádio Cidade "roqueira", Jornal do Brasil preferia a Fluminense FM


Uma grande ironia havia ocorrido há cerca de 12 anos atrás. Mesmo sendo controladora da Rádio Cidade, então a dita "rádio rock" naqueles idos de 2001-2002, o Jornal do Brasil parecia mais simpático a relembrar a Fluminense, que então tentava uma ressurreição nas ondas de AM.

Notava-se, no Caderno B do Jornal do Brasil, várias matérias elogiosas à Fluminense, incluindo reportagens e entrevistas, numa clara preferência de seus jornalistas de então à emissora do Grupo Fluminense de Comunicação.

Enquanto isso, consta-se que, nos bastidores do Sistema Jornal do Brasil, os profissionais da Rádio Cidade eram vistos por profissionais de outros setores e veículos como uma "tribo" de arrogantes, rebeldes sem causa e posers, vistos com estranheza e sem muita simpatia.

Isso porque, apesar do êxito comercial, a Rádio Cidade, para as pessoas bem informadas, parecia aquela rádio chata e pretensiosa do tipo que não ajuda mas não deixa de atrapalhar (o popular "não f*** nem sai de cima").

O estilo da Rádio Cidade, sempre que tentou explorar o rock, estava mais próximo do perfil pop da Jovem Pan 2, tanto que era coordenada pelo mesmo Alexandre Hovoruski que produzia os CDs de dance music da JP2, As Sete Melhores da Pan.

Nem adiantava haver, nos anos em que a Cidade se passava por "roqueira" (seja de forma tímida, nos anos 80, ou mais pretensiosa, entre 1995 e 2006), radialistas mais especializados como Luiz Antônio Mello, Lia Easter, Milena Ciribelli, José Roberto Mahr, porque eles eram apenas "ilhas" de personalidade rock num mar de pretensiosismo sem pé nem cabeça.

A Cidade só era levada a sério pela natural desinformação que reinava no Brasil pré-Internet, pela memória curta de vários jovens e pela condescendência de alguns roqueiros autênticos especializados, que, na sua orfandade com o fim da Flu FM, acreditavam, com certa ingenuidade, que a Cidade supriria as carências da cultura rock no rádio.

Só que, com o avanço da Internet e a redescoberta do rock clássico dos verdadeiros internautas, o que parecia mais moderno - rádio com linguagem frenética e repertório mais "juvenil" - tornou-se antiquado, e ninguém mais aguenta rádios que se dizem "rock" com locutores engraçadinhos, besteirol e programas nada roqueiros como game shows tolos e debates sobre futebol (?!).

Por isso, naqueles idos de 2001-2002, quando o poderio midiático começava a ser questionado em larga escala, rádios como a Cidade e, em São Paulo, a 89 FM - esta criticada até por Álvaro Pereira Jr. na Folha de São Paulo - passaram a serem vistas como anacrônicas, ultrapassadas e até um tanto cafonas e desmioladas, embora arrogantes e intolerantes.

Além disso, o pavio curto dos produtores da Cidade e 89 já naqueles tempos também afastou os ouvintes. E os ataques que estes produtores fizeram aos clássicos do rock - os mesmos respeitados por "novatos" (sic) como Eddie Vedder, Dave Ghohl, Noel Gallagher e James Hetfield - também afastou muitos roqueiros dos 102,9 mhz cariocas e dos 89,1 paulistas.

Daí o fracasso da 89 FM entre os roqueiros, já que a rádio é mais ouvida por fãs de Justin Bieber e Luan Santana que dão uma "folga" para ouvir Charlie Brown Jr., Guns N'Roses e programinhas de piadas.

Hoje a situação é diferente e a Kiss FM já começa a se destacar mais oferecendo aquilo que a dupla "emoneja" 89 FM & Cidade não querem oferecer, apesar do pretensiosismo "roqueiro". Daí a rejeição a essas duas rádios comerciais, que já teve uma boa amostra dentro do próprio Sistema Jornal do Brasil que, no passado, ajudou a ambas.

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