quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

"Rádios rock" atoladas na total incompetência

"HORA DOS PERDIDOS", DA RÁDIO CIDADE - Ouvintes reclamam que, às vezes, o programa lembra FM O Dia.

Infelizmente, os defensores da Rádio Cidade e da paulista 89 FM têm mesmo que oferecer a cara a tapa. O retorno das duas rádios pode ter rendido um bom retorno de audiência, segundo dados oficiais, não se deve à adesão maciça de um público especializado de roqueiros, mas de fãs de pop e brega com alguma simpatia aos sucessos fáceis do rock.

O sucesso, portanto, é quantitativo, mas nem de longe é qualitativo. E isso é culpa das rádios, que retomaram rigorosamente os erros que as derrubaram em 2006, dando maior ênfase a locutores e programas que NADA TEM A VER com o perfil rock, que só conseguem roubar a audiência de outras rádios pop e bregas, mas não atraem um público realmente roqueiro.

Pouco adianta, se, numa 89 FM, há programas específicos apresentados por um Ricardo Alexandre ou por um Andreas Kisser, porque com toda a fachada "100% rock" (menos, menos) da emissora paulista, esses programas não são mais do que "ilhas isoladas" diante de um mar de imbecilidades e tolices, um "paiol de bobagens", como dizia o Paulo Ricardo do RPM.

Até um dos empresários da 89, o Neneto Camargo, tem mais voz para locutor de rádio rock do que o coordenador Tatola (espécie de "titio" dos emos que fala igual ao Rui Bala da Transamérica), como fui obrigado a admitir depois de ver uma reportagem sobre a emissora no Metrópolis da TV Cultura.

E ver que Tatola e Zé Luís são a "vitrine" de uma rádio que se autoproclama "rádio de rock séria" é estarrecedor. Ver a programação normal da 89 FM e, por conseguinte, da Rádio Cidade aqui no RJ, comandada por locutores incompetentes que falam igualzinho aos das piores rádios de pop dançante, é de fazer enfurecer até budista.

NÃO SE FAZ UMA RÁDIO DE ROCK COMO SE FAZ RÁDIOS DE POP

Não se pode trabalhar uma rádio de rock como quem trabalha uma rádio de pop. Se a demanda é jovem, ela é diferente no comportamento e hábitos. Mas como nem os adeptos da Cidade e 89 entendem de cultura rock - eles só entendem de DINHEIRO (diz o câmbio do dólar do dia para um ouvinte da 89 ou Cidade e ele tira de letra) - , então fica difícil esclarecer as coisas.

O grande problema é a miopia empresarial. Eles não sabem a diferença entre os fãs de Xuxa Meneghel e os do Ratos do Porão. Aí criam rádios parecidinhas na linguagem, na mentalidade, nas vinhetas, na mesma conduta debiloide, tratando os ouvintes igualmente feito débeis-mentais alucinados, e só diferem no "vitrolão", e, mesmo assim, não muito.

É só voltarmos aos anos 90 e confrontarmos o que a Jovem Pan 2 (que, arrogante, havia comemorado a queda da Fluminense FM) e a Rádio Cidade "roqueira" tocavam, e a semelhança dos repertórios musicais é praticamente a mesma.

As duas investiam igualmente em nomes como Skank, Cidade Negra, Alanis Morissette, No Doubt,Titãs, Capital Inicial, Lenny Kravitz e, sobretudo, Mamonas Assassinas, só tendo algumas diferenças pontuais. Se a Jovem Pan 2 tocava, por exemplo, Whigfield, Britney Spears, Double You e Undercover, a Cidade atacava com Offspring, Alice In Chains, Raimundos e Midnight Oil.

Até o Ostheobaldo, uma das "bandas-sensação" da Rádio Cidade, mais parecia um Fincabaute - "banda-sensação" da Jovem Pan 2 - à beira de um ataque de nervos. A mesma postura, as mesmas gracinhas, a mesma pose, só que um tentando ser "mais roqueiro que o outro", ou não seria o outro querendo ser "mais praiano que o primeiro"?

As rádios se atolam na mesma mentalidade, e a coisa ficou tão escancarada que veio a migração de locutores de rádios bregas e pop para não só emporcalharem os microfones com suas vozes de animadores de festinhas infantis, mas também coordenarem e comandarem a programação. E aí é que a máscara cai, mas se mostrar essa realidade o pessoal não gosta.

A realidade é essa. As rádios já têm o repertório montado previamente pelas gravadoras. Até as chamadas "bandas alternativas" são tocadas apenas pelas chamadas "músicas de trabalho", que já são as escolhidas pelas gravadoras para trabalhar o material. Nada menos alternativo.

Claro que daria um enorme livro só para enumerar os defeitos dessas rádios. Mas seus adeptos não querem saber. Acham que esses defeitos existem porque as rádios precisam "viabilizar audiência". E arrastam essa desculpa durante anos, não se sabe até quando.

Essas pessoas não entendem de rock. Aliás, o mercado não conhece o público de rock e o que eles pensam, fazem e querem. O mercado, turrão, quer impor regras, normas, procedimentos, e nós é que temos que aceitar tudo e garantir seu sucesso, pouco importando se essas regras vão contra a realidade da cultura rock no mundo ou mesmo no próprio Brasil.

Os adeptos da 89 e Cidade não sabem a diferença entre uma guitarra distorcida e um barulho de britadeira na rua. Mas se acham "gênios" por acreditarem em rádios que são ao mesmo tempo pop e rock sem serem "pop rock" e que são "radicalmente rock" sem serem radicalmente rock. E ainda se irritam quando são contrariados. Que "rádio de rock" eles querem, afinal? Eu não sei.

Enquanto as ditas "rádios rock" não representarem um diferencial de linguagem, de mentalidade ou de estado de espírito, substituindo locutores poperó por outros que falem feito gente, a 89 e a Cidade vão ficar chupando dedo alimentando seu sucesso de audiência com ouvintes de pop e brega que apenas estão em busca de novidades.

Se tudo ficar como está, nada feito: a Cidade e 89 terão que se admitir que são "pop rock" devido aos limites impostos pelos interesses comerciais, que, nesse quadro de incertezas que atravessa o rádio, garantia de sucesso hoje, mas certeza de falência amanhã. Quem é que ia imaginar que a Beat 98 um dia seria extinta, cumprindo rigorosamente os tais "interesses comerciais"?

Mantendo tudo como está, as ditas "rádios rock" terão que reconhecer que nenhum roqueiro autêntico lhes dá ouvidos, porque roqueiro de verdade não se contenta com pouco, ouvindo só os "grandes sucessos" roqueiros e as irritantes piadinhas dos locutores "engraçadinhos" que falam feito animadores de festinhas infantis.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Nervosos, defensores da Rádio Cidade podem dar tiro no pé


Tem gente que acredita em Papai Noel. Há quem acredite no Coelhinho da Páscoa que é ovíparo e põe ovos de chocolate. Há quem acredite na Fada Madrinha. E há quem acredite que roqueiro é quem ouve a Rádio Cidade.

Quando ocorreu a notícia de que a Rádio Cidade trabalha uma afiliada na Região dos Lagos, foi eu só colocar uma observação realista para ser espinafrado por radiófilos para os quais só valem os dados colhidos pelo departamento comercial, com seus mitos e ilusões publicitárias.

São pessoas que até entendem de rádio e de bastidores de rádio, mas não de rock. E vem com desculpas, ataques, declarações irritadas, ironias, que podem pôr a perder a causa que eles mesmos defendem.

Minhas críticas não invalidam a marca Rádio Cidade. Eu não disse "a rádio vai se dar mal". O que eu quis dizer é o que acontece no Rio de Janeiro: a Rádio Cidade está roubando audiência de rádios convencionais.

Musicalmente exigentes, os roqueiros nunca iriam aceitar ouvir o "mais do mesmo" na Cidade e os mais jovens, com muito mais informação a seu acesso, encontram outros caminhos bem mais interessantes para ouvir rock. Os roqueiros estão fora do rádio do RJ, enquanto a Kiss FM some e aparece sem ainda implantar uma programação própria no Estado.

O que preocupa é que as pessoas não entendem a realidade. Os adeptos da Cidade querem pensar a realidade conforme seus umbigos. Querem dar o juízo final com seus egos. E isso as torna reacionárias, algo preocupante num Estado que elegeu Jair Bolsonaro e num cenário radiofônico nacional que mostra uma Jovem Pan AM altamente reacionária.

Nota-se um nervosismo neurótico nos adeptos da Rádio Cidade. Eles sabem que o rock anda em baixa no rádio brasileiro e não chegou sequer às 50 mais tocadas. Mas acham que a solução está numa rádio sem vocação alguma para o gênero, que só toca "sucessos" e a cada vez mais demonstra ter uma equipe sem qualquer especialização para o rock.

Os fatos mostram mais do que declarações do departamento comercial. A Rádio Cidade não derrubou a Kiss FM, ela eventualmente fica fora do ar por problemas técnicos, está em fase experimental e precisa resolver finanças e burocracia para modernizar equipamentos.

Em compensação, depois do ressurgimento da Rádio Cidade, quem sucumbiu foi a Beat 98, uma rádio popularesca, que misturava "funk", "pagode romântico" e hip hop e que há mas de três décadas não guarda um vestígio sequer da histórica Eldo Pop que dominou o radialismo rock dos anos 70.

As pessoas ficam nervosas por nada e, por mais que insistam em seus argumentos, acabarão dando um tiro no pé. Isso porque não fazem sentido desculpas do tipo "a Rádio Cidade toca outro tipo de rock", "o rock da Cidade é contemporâneo", "a rádio não ousa porque precisa viabilizar audiência" ou "a rádio é assim ou assado porque precisa ser mais direta com um público mais jovem".

E isso tudo com as transformações que a cultura rock acontece no mundo e até no Brasil. Os roqueiros estão preferindo mais os arquivos de áudio do You Tube. Ninguém vai ouvir uma rádio só por causa de uns sucessinhos roqueiros ou semi-roqueiros convencionais e aguentar piadas idiotas de locutores com vozes de animadores infantis tratando os ouvintes feito débeis mentais.

Ver que a realidade irrita as pessoas e as faz ter mania de argumentar conforme seus interesses é algo que já provocou efeitos danosos na sociedade, vide, por exemplo, o caso da revista Veja e suas paranoias antissociais.

Alguém diz para os adeptos da Rádio Cidade que a realidade do público roqueiro é bem diferente do nível de compreensão de quem vive trancado nas quatro paredes de seus escritórios comerciais e eles reagem xingando de "Zé Ruela" e fazendo esnobismo, como se eles fossem vitoriosos nos seus pontos de vista. Não são.

Isso é tão certo que o surto de reacionarismo extremo dos adeptos da suposta "rádio rock", entre 2001 e 2005, fez a rádio perder audiência e credibilidade. Gente esquentadinha não dá bom marketing. Isso é uma certeza absoluta. Quem perde a cabeça põe tudo a perder, por mais que ele se ache com a razão e tente responder de maneira insistente e agressiva.

A realidade é que a Rádio Cidade, quando muito, é apenas uma rádio de POP ROCK. E que, a exemplo da 89 FM de São Paulo, mostram mais proximidade com a ciranda das rádios convencionais até no trânsito de locutores.

Notícias provam isso: a 89 empregou um ex-locutor da Jovem Pan 2, a Rádio Cidade empregou para a gerência artística um ex-locutor da Beat 98, fatos concretos, mas se alguém disser que a 89 e a Cidade participam da ciranda das rádios pop e brega isso é visto como "ofensa".

Enquanto isso, num texto da Coluna do LAM, Luiz Antônio Mello, que lançou as teorias sobre o que é trabalhar uma verdadeira rádio de rock, referente à morte do ex-beatle John Lennon, definiu a Rádio Cidade como "adorável e muito saudosa", como se a emissora fosse coisa do passado.

A Rádio Cidade nunca vai fugir do estigma pop. Ela sempre teve mentalidade pop, mesmo nos seus momentos mais nervosos. Aliás, o nervosismo dos que queriam vê-la como rádio do "rock à moda da casa" poderão dar um tiro no pé, porque o mercado não tolera pessoas temperamentais, mesmo quando elas mesmas é que tomam as rédeas.

E tudo isso quando o rádio FM de hoje é imprevisível, vivendo uma crise que nem os mais ambiciosos gerentes artísticos conseguem desmentir. Ficar esquentadinho porque ninguém vê na Rádio Cidade uma rádio de rock séria (e nunca foi) é chutar o pau da barraca e derrubar tudo que estiver à frente.

O jeito é se conformar e aceitar os limites da Rádio Cidade dentro do contexto do radialismo pop, admitindo que a rádio só toca sucessos de pop rock dos anos 90 e 2000 para fãs de Thiaguinho, Anitta, Luan Santana e Justin Bieber. São os efeitos do mercado. Forçar no faz-de-conta "radical" é perda de tempo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quer deixar sua marca no Rock Brasil? Não mande demos para a 89 FM e Rádio Cidade

SE A LEGIÃO URBANA TIVESSE SURGIDO HOJE, AS RÁDIOS 89 E CIDADE REJEITARIAM SUAS DEMOS.

Você que está formando uma banda musical e trabalha uma proposta musical consistente, bem elaborada e diferente das bandas que fazem sucesso, mesmo dentro de seu meio, um conselho: NÃO mande demos para as rádios 89 FM e Rádio Cidade.

Devemos parar de fingir crer que as duas rádios tratam o rock de maneira séria, porque, mesmo dentro do perfil mais contemporâneo, as duas rádios deixam muito a desejar na exploração desse perfil.

Para quem não sabe, rádios de rock contemporâneo de verdade foram a Fluminense FM, de Niterói, no ano de 1986, e a Brasil 2000 FM, de São Paulo, no ano de 1990. Muito distantes e muito superiores, em qualidade do que essas "Jovem Pan 2 com guitarras" que são a 89 e a Cidade que estão abaixo até do básico que deveriam ser rádios de rock contemporâneo.

As duas rádios nem estão interessadas em rock diferenciado, até porque seus locutores e produtores não são gente que realmente entenda de rock ou queira divulgar bandas de qualidade. O que as duas rádios tocam de bandas de qualidade é o que já faz muito sucesso mundialmente, como U2 e Foo Fighters.

Além disso, as duas rádios não declaram, mas estabelecem normas rígidas sobre o que deve ser uma nova banda de rock. Se a banda já lançou um álbum com bastante diferencial, com o mesmo impacto criativo que tiveram Legião Urbana, Fellini e Violeta de Outono, terá que diminuir seu ímpeto nos próximos álbuns.

Esse raciocínio é o mesmo do pop adolescente. Paciência, a 89 FM e a Rádio Cidade não escapam da lógica das rádios de pop adolescente, deve-se parar de ignorar essa dura realidade, e não fazer de conta que as duas emissoras estão longe da ciranda do radialismo pop mais convencional!

Nomes como Rihanna, Demi Lovato e Selena Gomez lançaram seus primeiros discos tentando algum diferencial no pop dançante, mas depois tiveram que seguir as rígidas regras pop ditadas pelos fenômenos Beyoncé Knowles, Shakira, Britney Spears etc.

Se a 89 e a Cidade recebem uma demo ou um álbum independente em que a banda soa bastante criativa e diferenciada, seus músicos são "aconselhados" a lapidar o som e seguir o som da moda, sob a alegação que o som é "muito bom, mas difícil" ("muito bom" é eufemismo para os locutores dizerem que odiaram a banda). É a regra do negócio!

Claro que todos são obedientes a esse processo e, se você é um roqueiro carneirinho, que faz todas as normas de maneira submissa, apesar de toda a pose de "rebelde" que mostra nas fotos, você não tem problemas de divulgar material nessas rádios e seguir o show business roqueiro comodamente, se preciso até abrindo para o Psirico em um evento de bloco em Salvador.

E há muita banda que antes era rebelde e tinha atitudes viscerais que hoje soa domesticada e acomodada, por causa desse mercadão comandado pelas duas rádios que, no fundo, não suportam haver roqueiros com neurônios e muito o que dizer de relevante.

Se a Legião Urbana tivesse surgido hoje e tivesse que mandar demos para a 89 e a Cidade, seus produtores reclamariam, chateados: "Cara, que letras complicadas são essas?", "Vocês deveriam soar algo entre Coldplay e Fall Out Boy, com esse som não dá para tocar", "Dessa demo, só presta 'Geração Coca-Cola', e olhe lá", "A mixagem está crua demais para nossos padrões", seriam os comentários.

Inútil haver o faz de conta de que as rádios aceitam sonoridades cruas e "difíceis" e que as bandas aceitas por essas rádios não seguem o som da moda. Na prática, todavia, o que se nota são rádios que ditam fórmulas e bandas que as seguem, obedientes.

Exemplo disso está em bandas como Malta e Aliados, que não diferem muito do que Restart e NX Zero fazem de "radical". E, apesar do visual headbanger e da pose de "viscerais", o Malta é tão carneirinho que faz letras piegas e foi se apresentar num evento ao lado de nomes como MC Guimé e MC Ludmila. Devem viajar para Salvador para abrir até mesmo para o É O Tchan.

E o que dizer dessas regras impostas em letras miúdas pelo "Temos Vagas" e "Cidade do Rock", que até a dupla breganeja Victor & Léo promete que vai seguir, quando o som da moda, para bandas emergentes de rock no país, é imitar Coldplay e 30 Seconds To Mars, grupo popularizado pelo fato de seu vocalista e guitarrista ser o ator Jared Leto?

Portanto, se a banda quiser deixar sua marca no Rock Brasil, evite rádios assim. Deixe vídeos "dormindo" no YouTube e vá fazer apresentações ao vivo. A visibilidade será pouca, o sucesso baixo, mas haverá maior liberdade artística que, cedo ou tarde, trarão maior destaque.

Se quiser um sucesso mais rápido, melhor será mandar demos para o exterior, como a BBC de Londres ou o jornal New Musical Express, que não exigem das bandas o "som do momento". Deve-se espelhar no caso do Velvet Underground, de início um grande fracasso comercial, mas depois uma das bandas seminais da História do Rock.

Mas se houver a tentação de mandar demos para a 89 e a Cidade, os músicos terão que se preparar para mudar o som conforme o modismo do momento, abrir para Ivete Sangalo, Zezé di Camargo & Luciano e Mr. Catra no futuro (talvez até duetando com eles em um novo CD), e fazer o papel de palhaços diante de uma plateia revoltada que esperaria da banda um mínimo de diferencial.

As rádios 89 e Cidade são comerciais. E, como tais, estabelecem regras de mercado. E elas são muito cruéis e castradoras da liberdade de criação. Não se pode fingir que essas regras não existem.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Saudade de uma tendência: FM é entretenimento, cultura, música, AM é comunicação, futebol, notícia

Os caras mesmos criam uma tendência, e eu fui criado ouvindo essa tendência: FM é entretenimento, cultura, música, AM é comunicação, futebol, notícia, "o fato no ato", como dizia a saudosa JB AM. Aí os caras acabam com a tendência que eles mesmos criaram na década em que eu nasci, fazendo agora a festa de Fausto Silva e de Heródoto Barbeiro que dizem que FM não deve ser diferente de AM, e dos "pogreçistas" que afirmam que FM musical é alienação de música vinda "duzistêites". Aí tome blá blá blá populista demagógico, jabá futebolístico e jornalismo tendencioso no FM, e AMs entregues à picaretagem da fé, que depois também adentrou o FM. Só falta chegar a defensora de amarramento de pessoas em postes ao dial carioca, pra fechar a tampa do caixão do FM. Porque o cadáver já está fedendo. O cadáver do AM já foi enterrado pela incompetenta, com a transferência das AMs para o FM estendido.

E viva a MP3 FM!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Casos de dupla e tripla transmissão de uma mesma grade inteira só no Sistema Globo de Rádio

CBN Rio em AM 860 e AM 1180 em 1993 e em alguns anos seguintes
CBN São Paulo em AM 780 e FM 90,5 desde a década de 1990
CBN Rio em AM 860 e FM 92,5 desde 4 de julho de 2005
Rádio Globo Rio em AM 1220 e FM 89,3 desde 4 de maio de 2010, mudando para FM 89,5 em 26 de fevereiro de 2011
Rádio Globo Rio em AM 1220, FM 98,1 e FM 89,5 desde hoje
Fora outros casos não citados ou lembrados. Favor, se houver mais coloque nos comentários.

E ainda: duplas, triplas e até tetra transmissões de futebol e Fórmula 1, como a tetra transmissão da Fórmula 1 e da Copa 2010 nas rádios CBN AM+FM e Globo AM+FM.

Será que vem aí a PENTA transmissão? Fórmula 1 nas rádios CBN AM+FM e Globo AM+FM+FM.

Tripla transmissão AM+FM+FM

Só digo uma coisa: é só no Brasil que pode haver uma rádio oligopolista que transmite ao mesmo tempo em AM e em DUAS FREQUÊNCIAS EM FM. E as 'otoridades' deixam. Depois a corja há 12 anos no poder ainda vem vomitar na minha cara palavras vãs de "democratização dos meios de comunicação".

Não me procurem para apoio algum.

Enquanto isso, nos 91,9...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Rádio Cidade derrubou uma concorrente. E não foi a Kiss FM


Quem realmente ouve a Rádio Cidade? Roqueirões da pesada vestidos de jaqueta e pilotando motocicletas envenenadas? Alternativões da gema dotados da visão filosoficamente pessimista do mundo? Rebeldões raivosos de cabeça raspada que vivem de mal com o "sistema"?

Nenhum deles. A realidade mostra que o público que ouve a Rádio Cidade e aceita alguns sucessos manjados do rock e bandas mais comerciais do gênero nem de longe representa o público especializado em rock, mas tão somente um público que, de vez em quando, alimenta suas catarses com guitarras distorcidas e vozes guturais, mas sem ir fundo no "espírito do rock'n'roll".

A constatação se deu com a crise que atinge, pelo menos, quatro FMs ligadas ao pop convencional, sendo uma delas, a popularesca Beat 98, prestes a sair de sintonia na próxima semana, dando lugar a uma nova frequência da "Rádio Globo AM" FM, que deixará os 89,5, cujo destino não foi divulgado até agora.

Ela se deu depois que a Rádio Cidade voltou, depois de um bom tempo como OI FM, Jovem Pan 2 e 102,9 FM. A emissora voltou não adotando a linha assumidamente pop que a consagrou, mas o mesmo perfil "roqueiro" que havia "queimado" a rádio em 2006. Essa fase voltou com todos os defeitos e equívocos cometidos.

O sucesso que a emissora está tendo - que, na verdade, não é tanto assim, se observarmos que os institutos de pesquisa atribuem às emissoras FM uma audiência em média 60 vezes maior do que a real - se deve não pela conquista de um público especializado em rock, mas pela absorção de ouvintes de FMs convencionais.

Isso desmente claramente a reputação da Rádio Cidade como "roqueira", fazendo com que todas as tentativas de colocá-la na ciranda mercadológica das rádios de rock sérias seja em vão. Na prática, a Cidade continua tendo a mesma mentalidade e linguagem de qualquer rádio pop convencional, sem qualquer relação com o perfil roqueiro.

Isso é tão certo que a Rádio Cidade fez a primeira vítima numa rádio bem popularesca, a Beat 98, que tocava "funk" e "pagode romântico" e emendava com hip hop e pop dançante norte-americano. Um ex-coordenador da rádio foi justamente comandar a programação da Cidade. Ironicamente, a Beat 98 havia sido a "casa" dos ex-Cidade Rhoodes Dantas e Paulo Becker.

Diante do "fenômeno" Rádio Cidade - que se destaca mais pela linguagem animada de locutores do que de qualquer alusão ao rock - , outras rádios começam a sofrer uma discreta crise, como indicam rumores divulgados nas mídias sociais.

A Mix FM e Sul América Paradiso, duas franquias financiadas por Luciano Huck, em parceria com Luiz Calainho e Alexandre Accioly, começam a sofrer uma crise, já que não conseguem repercutir de maneira desejada, apesar da onipresença publicitária que envolve sobretudo a Mix.

Já a Rede Transamérica, por sua vez, há muito tempo não consegue ter um índice expressivo de audiência, em todo o país, e hoje não passa de uma sombra do que a rádio foi nos anos 80. Aparentemente, a rádio parece remanescente das antigas FMs oitentistas mas hoje, parcialmente entregue ao "Aemão" esportivo, a rádio decaiu completamente.

Hoje a Transamérica não é mais do que uma rádio de aluguel, arrendada por DJs e por dirigentes esportivos. E, apesar do cartaz que ela mantém nas colunas e fóruns de rádio e de seus (pouquíssimos) ouvintes sintonizarem a emissora em volumes altíssimos, a audiência e a reputação são baixíssimas.

Portanto, essas notícias comprovam que a Rádio Cidade não faz parte da ciranda mercadológica do radialismo rock - a gente até pergunta se o nome "rock" não é elipse para "Rock In Rio" - , mas da ciranda das rádios pop convencionais. Rádio Cidade, o teu passado não nega.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O rádio reduzido a um interminável blá blá blá

Escrevo este texto diante da notícia do fim do rádio musical no outrora pródigo em boas rádios musicais Sistema Globo de Rádio (Mundial AM 860, Eldorado AM 1180, Globo FM 92,5, Eldo Pop FM 98,1). A Beat 98 FM 98,1 (que no passado foi a saudosa Eldo Pop FM e depois 98 FM) está prevista para sair do ar no próximo dia 17, para se tornar uma repetidora da Rádio Globo AM 1220, que está deixando de arrendar a FM 89,5 (ex-Manchete FM, ex-Manchete Gospel, ex-Nova Brasil FM e ex-Nossa Rádio FM). A Beat 98 e todo o sistema de rádio musical do Sistema Globo estão sendo transferidos para o portal Rádio Beat, que não traz nada de novo em relação a portais e serviços de rádio online melhores que há por aí.

Por algum tempo, entre os anos 70 e 90, nós tínhamos uma segmentação no rádio. Havia rádios de vários segmentos. E havia também uma segmentação entre os dials. Rádio falado no AM, com comunicação, serviço comunitário, jornalismo e coberturas esportivas. Rádio musical no FM, com segmentação musical, jornalismo sucinto e eventualmente entrevistas com os artistas executados nas emissoras. Havia excelentes emissoras, tanto no AM como no FM.

Havia também algumas FMs que, longe de representarem alguma segmentação autêntica no dial FM, foram criadas apenas para imitar outras (imitar mal e porcamente a Rádio Cidade FM 102,9 era de praxe), para promover uma programação alienante e para gerar faturamento à custa de pagar mal a poucos funcionários e receber toneladas de jabá de gravadoras, de produtoras e de artistas.

Paralelamente, por muito tempo profissionais da comunicação combatiam a segmentação radiofônica, e mesmo a existência de dois estilos de rádio distintos: o AM e o FM. Já na Rede Globo, Faustão (egresso do radiojornalismo esportivo da Jovem Pan AM) criticava a segmentação de estilos entre o AM e o FM. Heródoto Barbeiro fazia o mesmo na CBN, brigando para que a então CBN AM 780 de São Paulo transformasse a então X FM 90,5 (então em processo de encerramento de atividades) em mera repetidora da CBN. Isso já nos anos 90. Na década seguinte, a CBN AM 860 do Rio repetiu a mesma atitude, transformando a Globo FM 92,5 em sua repetidora. Nenhuma palavra dos tecnocratas do rádio a respeito dos profissionais demitidos da X FM e da Globo FM. O mesmo processo foi feito também por outros grandes grupos radiofônicos pelo país afora. Rádios AM como Bandeirantes, Itatiaia, Gaúcha, Tupi e Globo também passaram a ter repetidoras no FM. Resultado: menos postos de trabalho no FM. Ao mesmo tempo, tivemos várias FMs não repetidoras de AM vilipendiando o formato do rádio AM, praticando apartheid tecnológico contra as AMs de verdade. E tome FM transmitindo futebol, corrida de Fórmula 1 e colocando no ar comunicadores tendenciosos para falar pelos cotovelos. Algumas FMs ainda mantiveram um ou outro programa musical entre um programa falado e outro, geralmente transmitindo músicas pop, popularescas ou religiosas. Outras FMs baniram os programas musicais, abraçando de vez o modelo de rádio AM. As poucas FMs musicais que sobraram (noves fora algumas estatais, universitárias e outras raras exceções) se dessegmentaram, se restringindo a poucos gêneros: pop, popularesco, gagá contemporâneo e música religiosa. Não se confirmou a falácia dos tecnocratas radiofônicos segundo a qual o rádio falado acabaria com a má qualidade da programação musical em algumas FMs. Pelo contrário: as boas FMs musicais é que foram ejetadas do dial.

Resumindo: o vilipêndio do formato AM pelas FMs foi o estopim do fim da segmentação entre AM e FM, da asfixia econômica das AMs, do fim da segmentação musical do FM, do fechamento de postos de trabalho no rádio e do interminável blá blá blá das atuais FMs, com seus âncoras, comunicadores e comentaristas tendenciosos.

Cedendo aos tecnocratas do rádio, o Governo Federal sepultará de vez o dial AM, ao promover a transferência de todas as AMs para o FM. Isso se os caras dos órgãos públicos que atuam no Sumaré deixarem! Se até meados dos anos 90 nós tínhamos excelentes rádios AM, excelentes rádios FM e alguns maus exemplos de FMs alienantes, agora ficaremos com uma única régua de rádios, somando dial FM com dial FM estendido. Uma régua cheia de AMs tendenciosas com um interminável blá blá blá. Até mesmo as rádios pop, popularescas, gagás contemporâneas e de música religiosa deverão ser ejetadas do dial, como aconteceu com uma série de FMs do dial carioca e como acontecerá agora com a Beat 98.

Como daqui a algum tempo o povo se mudará para as rádios que transmitem para Internet, dispositivos conectados (como smartfones) e serviços pagos (como os de TV paga), a ruína do dial FM será mais rápida que a ruína do dial AM. Quando inventarem o rádio transmitido via wi-fi para chips neurais, até essas rádios que transmitem pela Internet, por serviços pagos ou para dispositivos conectados deverão sucumbir.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Livro acaba expondo contradições da "rádio rock" 89 FM


A rádio 89 FM, emissora paulista cujo formato influencia a Rádio Cidade, aqui no Rio de Janeiro, lançou um livro sobre sua história que, embora mostrasse uma abordagem positiva da emissora, acaba mostrando suas contradições, mesmo sem querer.

Escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre - do livro Dias de Luta, sobre Rock Brasil -  , o livro no entanto reflete o ponto de vista dos departamentos comercial e de marketing da emissora, acrescido de depoimentos de ouvintes, profissionais e famosos.

O que se observa no livro são duas grandes contradições da trajetória da rádio. Uma rádio que tem uma relação muito mal resolvida com as regras do mercado, que tenta ser ao mesmo tempo submissa e insubordinada, caindo em muitas posturas equivocadas.

Essa postura se centraliza sobretudo na postura "roqueira" da emissora, pois a grande e aberrante contradição está nessa postura ao mesmo tempo "bastante firme" e "não radical". Por sorte os mercados radiofônico e publicitário não são especializados em cultura rock, daí que essa contradição se passou durante muitos anos.

Em várias passagens do livro, são apresentadas várias contradições da 89 FM. Uma rádio que criou um projeto "antirrádio", contra a fórmula dos locutores animadinhos, depois lançava a fórmula dos locutores que "falavam sorrindo", ou seja, adotando a mesma fórmula dos "locutores animadinhos" que havia rejeitado antes.

Em toda sua trajetória, a 89 FM se baseava numa postura "radicalmente rock", mas em vários momentos contradizia essa postura, dizendo-se querer romper com os paradigmas de "roqueiros radicais". Queria "tirar o jaquetão", mas não admitia ser dissociada do estima de "rock", daí a costumeira e famosa irritabilidade de produtores e adeptos da 89.

JOSÉ CAMARGO (D) APRESENTA OS DOIS FILHOS, JÚNIOR (E) E NENETO (CENTRO) AO MINISTRO DA DITADURA MILITAR, CÉSAR CALS (DE TERNO CINZA).

Outra contradição, menos conhecida, mais sutil e no entanto gravíssima é quanto aos bastidores da rádio. Tida como "progressista", "revolucionária" e "alternativa", a 89 FM tem um quadro empresarial sombrio demais para uma rádio que queira ser "Hoje e Sempre, A Rádio Rock".

A emissora é integrante do Grupo Camargo de Comunicação, do empresário e antigo político da ditadura militar José Camargo. Ele foi afilhado político de Paulo Maluf e iniciou sua carreira na ARENA (Aliança Renovadora Nacional), tendo sido amigo do atual presidente da CBF, José Maria Marin.

Para quem não sabe, Marin é conhecido por ter feito, como deputado estadual por SP, um violento discurso na ALESP reclamando contra o boicote da TV Cultura à notícia de uma inauguração de um sistema de esgoto pelo Governo de São Paulo, em 1975.

Nessa época, o governador paulista era o antigo líder estudantil udenista e hoje tucano Paulo Egydio Martins, ex-presidente da UNE numa rara fase reacionária da entidade. O não noticiamento da inauguração irritou os parlamentares e Marin foi um dos oradores mais agressivos.

Pedindo punição ao Departamento de Jornalismo da TV Cultura, Marin pediu a prisão de seu diretor, o jornalista Vladimir Herzog, que, uma vez detido, foi assassinado e sua morte deu início a uma grave crise institucional da ditadura militar, que daria em seu fim dez anos depois.

Consta-se que a implantação de programas sobre futebol e besteirol da 89 FM foram feitos através da aliança dos dirigentes esportivos comandados por Ricardo Teixeira e José Maria Marin e a família do empresário José Camargo, que controla a 89 FM.

Dessa forma, programas como o antigo "Rock Bola" e o atual "Quem Não Faz Leva" da CBF atrair o apoio dos "roqueirinhos" ouvintes da rádio para o fanatismo futebolístico que enriquecem as fortunas sujas dos "cartolas".

PROJETO "ANTIRRÁDIO" FOI COPIADO DE RÁDIOS DO RJ

O que pouca gente admite é que o projeto "antirrádio" da 89 FM, única fase em que a rádio esteve próximo de assumir um formato decente, relativamente criativo mas superestimado pela imprensa paulista (e pelo livro de Ricardo Alexandre) era copiado em parte do modelo da Rádio Fluminense FM, de Niterói.

Apenas uma diferença era notável: a 89 FM já copiava alguns aspectos da cultura rock contemporânea do perfil de outra rádio do Grande Rio, a Estácio FM, lançada em 1984 como segunda rádio de rock do RJ.

A 89 copiava 75% do perfil da "Maldita" de 1982-1985 mas seu cardápio musical já enfatizava a linha do rock mais atual da Estácio. Tanto que, depois, a 89 FM fazia a transmissão paulistana do programa Novas Tendências, quando seu apresentador e ex-coordenador da Estádio, José Roberto Mahr, já estava na Fluminense.

Por um brevíssimo período, entre dezembro de 1985 e meados de 1988, a 89 FM esteve próximo de ser uma "rádio alternativa", causando boa repercussão na mídia paulistana. Todavia, essa fase durou menos até do que a fase áurea da Fluminense FM, que durou exatos três anos (a da 89 nem chegou a dois anos e meio).


89 VIVE DE SAUDOSISMO

Outra contradição é que a 89 FM, que aparentemente se mira para o futuro, sempre se alimentou de glórias passadas. Na prática, a tão elogiada "rádio rock" morreu em 1988, e desde então o que se vê é uma morta-viva que só fez sucesso por conta de uma habilidosa estratégia de marketing.

Já nos anos 90 e começo deste século a 89 FM vivia de façanhas passadas, embora sempre se alimentasse dessa imagem "pioneira" para se manter presente, mesmo com seus piores erros no radialismo rock. Reduzida a uma "Jovem Pan 2 com guitarras", a 89 usava o passado de 1985-1988 para continuar explorando o mercado roqueiro.

A sorte é que a Internet começaria no meio dessa fase e durante anos a 89 era protegida da imprensa paulista. Os tempos eram outros, de uma opinião pública praticamente privatizada, restrita aos interesses de editores de jornais e executivos de rádio e TV.

Com os protestos contra a 89 e sua congênere Rádio Cidade, há cerca de dez anos - que causaram reações violentas dos adeptos das duas emissoras - , as emissoras largaram o rock em 2006 e só voltaram devido ao interesse dos organizadores da Copa de 2014 para inserir as duas "rádios rock" no mercado turístico brasileiro.

E aí há um outro saudosismo. A 89 e a Cidade agora vivem glórias passadas quanto ao tempo em que seus formatos já não eram grande coisa, mas tinham a proteção da grande mídia. Só que hoje os tempos são outros e as transformações da cultura rock no Brasil e no mundo já indicam que as duas rádios estão velhas e ultrapassadas.

As duas rádios hoje se alimentam de uma audiência não-roqueira que quer ouvir um Offspring e um Charlie Brown Jr. depois de um Luan Santana, Raça Negra ou Anitta. Quase toda sua audiência é de ouvintes não-roqueiros que aceitam um "rock mais acessível".

Os tempos são outros, e a 89 FM tenta agora achar aquele jaquetão que havia largado e perdeu para hoje e sempre.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

'Cidade do Rock' repete playlist da Rádio Cidade de 19 anos atrás

O único lugar onde tenho conferido a programação da Rádio Cidade é a academia, onde os professores tem dado preferência a essa emissora no aparelho de som da sala de musculação. A programação do programa Cidade do Rock (carro-chefe da programação da rádio) é praticamente o playlist da rádio de 19 anos atrás. Praticamente não são tocadas bandas e músicas surgidas no atual século. Mas, apesar da tendência aos flash backs, é o mesmo irrit parade de sempre, com sucessos óbvios de nomes do rock. Além de popices, como músicas do Rappa. O programa anda evitando até mesmo as músicas que a rádio inteira tocou na fase "A Rádio Rock", entre o ano 2000 e o advento da Oi FM. Mesmo as melhores músicas que tocam são apresentadas através de gravações inferiores às originais. Veranaio Vascaína, por exemplo, apareceu hoje na versão do Acústico MTV do Capital Inicial, que por ser de 2000, não integrou a fase 1995 da Rádio Cidade, e sim a fase "A Rádio Rock".

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Emissora "irmã" da Rádio Cidade, 89 FM tem ligações com malufismo, ditadura e "cartola"


Para quem acha que a 89 FM é a "meca" da rebeldia juvenil, um aviso. A rádio tem raízes ligadas à ditadura militar, de acordo com o que mostra essa reportagem, do Jornal da República de 02 de janeiro de 1980, a respeito de uma viagem de Paulo Maluf.

Naquela época não existia a tal "rádio rock", mas a notícia da viagem de Maluf, um dos políticos mais corruptos do país, ao exterior, quando ele era governador de São Paulo, aparece aqui com o relato que inclui a reunião de aliados na despedida do político, que passava o governo em exercício para seu vice, ninguém menos que o atual presidente da CBF, José Maria Marin (que fica na entidade até 2015).

Entre os chamados adesistas que haviam pertencido à então recém-extinta ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o "partidão" do governo militar, está o então deputado federal José Camargo, ninguém menos que o patriarca do Grupo Camargo de Comunicação, proprietário da rádio 89 FM de São Paulo.

Para quem não sabe, Marin é conhecido também por ter feito discurso, em 1975, quando era deputado federal, na Assembleia Legislativa de São Paulo, se queixando de não ter havido reportagem pela TV Cultura da inauguração de um sistema de esgoto pelo governo estadual.

O discurso de Marin, tomado de profunda irritação, pedia a punição contra o Departamento de Jornalismo da TV Cultura, dirigido por Vladimir Herzog. Graças a esse discurso, Herzog foi chamado para depor no DOI-CODI, mas seus militares decidiram torturá-lo até a morte e simular falsos vestígios de suicídio.

A morte de Herzog foi um dos principais fatores da crise política que levou o fim da ditadura, dez anos depois. Marin era também amigo do torturador Sérgio Paranhos Fleury, chefe do DOI-CODI, considerado um dos mais truculentos do seu meio. Fleury faleceu em 1979, provavelmente por queima de arquivo.

Marin também é ligado a Ricardo Teixeira, um dos "cartolas" da CBF. E, como amigo de José Camargo, é possível que um programa que unia debates sobre futebol, humor besteirol e rock tenha sido feito para atender aos interesses da 89 FM e da CBF. A Rádio Cidade, irmã de causa embora não associada empresarialmente à 89, seguiu também a fórmula do "futebol, besteirol e rock".

Maluf, Teixeira, Paranhos Fleury, Camargo e Marin. Tudo junto e misturado.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ouvinte revoltado com transmissão futebolística da Rádio Globo

Ontem à noite, num hipermercado da zona norte do Rio de Janeiro, um lojista sintonizou diversas rádios numa grande e potente caixa de som amplificada, com receptor FM embutido. Por alguns minutos, deixou na Rádio Globo, que na hora transmitia uma partida entre Flamengo e Botafogo pelo Campeonato Brasileiro de Futebol. Um cliente da loja parou junto ao aparelho apenas para ouvir o placar, que na hora estava em 1 a 0 (mais tarde o placar final da partida) favorável ao Flamengo. Só que o locutor Luiz Penido narrava vários lances e falava muita coisa, sem dizer o placar. Daí que o cliente da loja ficou revoltado. Esbravejou, falando algo como "Essa rádio é uma m*%#@! O cara fala pra c@*%#% e não dá a p*##@ do placar!". Demorou vários minutos até que dessem o placar do jogo. Isso lá pros 20 minutos de segundo tempo.

De fato, as transmissões futebolísticas da Rádio Globo são uma lástima. Desde que instalaram o maldado projeto da rede, e mesmo agora, que tentam restaurar a programação local da Rádio Globo. Muito entretenimento, muita gracinha, comentaristas ruins, pouca informação. Mal dão o placar dos jogos, a informação mais importante numa partida de futebol!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Rádio Cidade e 89 FM não apostam em renovação no rock brasileiro

LOS HERMANOS VIROU A BANDA DA MODA A SER COPIADA PELAS BANDAS DIVULGADAS PELAS DUAS "RÁDIOS ROCK".

O tipo de radialismo rock adotado, de maneira caricatural, pelas emissoras Rádio Cidade (RJ) e 89 FM (SP) não tem o menor compromisso com a cultura rock de qualidade, seja pela mentalidade estritamente comercial que estabelece sérias restrições ao gênero, seja pela falta de personalidade das duas rádios, no fundo meras FMs pop dotadas de um vitrolão tido como "roqueiro".

Até agora, as duas rádios não divulgaram sequer qualquer cenário de renovação do rock brasileiro. E podemos fazer uma comparação com a Fluminense FM de 1982 e a 89 FM de dezembro de 2012 para cá, para verificarmos a gravidade dessa situação.

Quem acompanhou a história da Fluminense sabe que a emissora surgiu em março de 1982 e que, em seis meses, já divulgava uma boa leva de bandas de qualidade que representaram novidade e renovação no cenário musical. O Rock Voador já era um projeto adotado por volta de outubro, já com pelo menos uns seis artistas conhecidos através da programação da rádio niteroiense.

Detalhe. Não havia Internet, o trânsito de informações era mais lento, a Fluminense era considerada pouco experiente - seus experimentos em programação rock só foram para valer em 1982, apesar da fase experimental em 1981 - e, mesmo assim, a emissora acertou de primeira, já que as bandas da época, como Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho, são prestigiadas até hoje.

Já em 1983, bandas como Legião Urbana e Capital Inicial começavam a ser amplamente divulgadas pela rádio niteroiense, que chegava em 1985 e 1986 dando mais espaço ao rock paulistano do que a 89 FM de São Paulo, surgida em 1985 como uma versão "comportada", despolitizada e muito menos ousada da Fluminense FM, e que era corretinha antes de assumir de vez o QI pop de 1989 (!) até hoje.

Já a 89 FM, ressuscitada pelo lobby publicitário em dezembro de 2012, até agora não foi capaz de lançar uma cena musical de primeira, não teve faro suficiente para lançar bandas com diferencial. Até agora, além da continuidade do rock comercial e abobalhado dos anos 1990-2000, a rádio só divulga, e mesmo assim com alguma timidez, uma mera leva de imitadores.

A Rádio Cidade segue o mesmo caminho, e agora que ela será coordenada por um ex-locutor da Beat 98 - que entende tanto de rock quanto o humorista e político Tiririca entende de tecnologias de exploração espacial - , não se espere que um novo Renato Russo mostre suas primeiras composições sob as ondas da rádio.

Depois dos imitadores de Raimundos e Charlie Brown Jr. e das bandas "emo" menos andróginas e másculas tipo CPM 22 - anterior ao "emo às últimas consequências" de Restart, Cine e companhia - , a moda agora é imitar Los Hermanos, deturpando o bom e criativo rock com tons de MPB do grupo de Marcelo Camelo a um roquinho preguiçoso e mulambento.

Criou-se até a fórmula para os imitadores de Los Hermanos: bandas com vocalista barbudo, com olhar de cansado, vocal preguiçoso e letras que banalizam a melancolia e os problemas existenciais para uma pseudo-poesia oca e tragicômica. Letras e vocais que parecem ter sido feitos por alguém que acabou de se levantar da cama, depois de uma pesada noite de sono.

Paralelamente a isso, há bandas de rock skatista ditas de "hardcore" - há a grafia pejorativa do "rardicór" para questionar esse rótulo - cujas letras de "contestação social" são tão vagas que o ouvinte não tem a menor ideia do que elas realmente contestam.

Aí veio também outra moda, a de escrever letras dizendo para as pessoas tomarem cuidado, ou para elas agirem, mas não há um questionamento substancial, não se sabe para quê se deve agir ou que problema nos está à frente. Qual é o sentido do "sentido" que fala a letra, que poderes teremos que questionar, nada disso é questionado. E a revolta se limita a poses e clichês.

É lamentável que, para o rock voltar ao mercado, tenhamos que depender de duas rádios comerciais sem a menor intimidade nem vocação para o rock. E que mostraram que no fundo elas veem a cultura rock como uma piada, tratando o gênero de forma preconceituosa, caricata e estereotipada bem ao gosto de rádios pop convencionais, que no fundo a 89 e a Cidade se limitam a ser.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Notícias desmacaram supostas "rádios rock" de RJ e SP

VAN DAMME (EX-BEAT 98 E RPC FM) PASSA A COMANDAR RÁDIO CIDADE E TATOLA GODAS DA 89 FM SEGUE OS PASSOS DO PÂNICO DA PAN

As ditas "rádios rock" Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e 89 FM, de São Paulo, já disseram a que vieram em novidades anunciadas nos últimos dias, e que deixam cair a máscara de "roqueiras" que nunca passou de uma grande lorota publicitária.

No último fim de semana, a Rede TV! contratou a equipe do programa humorístico da 89, "Quem Não Faz Toma", que inclui o próprio coordenador da rádio, Tatola Godas (aquele que se achava "o maior punk de São Paulo"). O grupo terá um humorístico transmitido pela rede televisiva.

Para quem não sabe, é o mesmo caminho traçado há vários anos atrás pela equipe do programa Pânico da Pan, da Jovem Pan 2, que também começou a escalada televisiva criando uma versão do humorístico na Rede TV!.

Na Rádio Cidade, a notícia é a contratação do radialista Marco Aurélio Teles, o Van Damme, ex-radialista da rádio popularesca Beat 98 (que havia contratado os ex-Cidade Rhoodes Dantas e Paulo Becker), para coordenar a programação dita "roqueira" da rádio. Van Damme também fez parte da rádio pop RPC FM.

O irônico é que a Beat 98 tem no seu cardápio musical os mesmos funqueiros e pagodeiros-românticos que eram "hostilizados" pelos adeptos da Rádio Cidade, um sinal de pura incoerência e do habitual vira-casaquismo tão comum nesse pessoal.

Para coordenar rádios como a 89 e a Cidade, não é preciso entender de rock. Aliás, rock não é tratado como coisa séria por essas duas rádios que usam e abusam do rótulo "rock". Para fazer uma programação dessas, a própria indústria fonográfica já monta o repertório musical previamente, com seus hits e músicas de trabalho. Os programadores já recebem o "prato feito".

Com essas duas notícias, a Rádio Cidade e a 89 FM põem por terra abaixo qualquer chance de serem vinculadas à cultura rock de verdade, uma vez que nem personalidade de rádios de rock elas têm, porque rádio de rock não é aquela que só toca rock. Se fosse assim, qualquer jukebox seria "rádio de rock" se tiver só alguns discos do gênero.

As duas FMs tentam se desvincular da ciranda das rádios de pop dançante e popularescas que fazem a cabeça do público juvenil, mas esse esforço fica em vão, apesar do lobby publicitário favorável a essa manobra. Isso porque a publicidade é o reduto da mentira, do discurso falsificador, feito apenas para vender e faturar. Publicidade é ilusão. Coerência e marketing dificilmente andam de mãos dadas.

domingo, 8 de junho de 2014

Segmentação do rádio brasileiro dando vexame diante dos turistas

Os turistas estrangeiros estão chegando. Desta vez, não para a virada de ano ou para o Carnaval. Agora os turistas que chegam são aqueles interessados no futebol mundial, quase todos interessados na Copa do Mundo, a ser realizada nos próximos dias neste país.

Até mesmo esses turistas futeboleiros não devem vir aqui unicamente para assistir as partidas da Copa. Não haverá partidas nas 24 horas do dia. E nem esses turistas virão aqui pra ficar vendo VT de partidas da Copa. Eles também buscarão atrações turísticas e locais de diversão não relacionados ao futebol. Opções não faltarão nas cidades turísticas que visitarem.

Complicado mesmo será esses torcedores ouvirem boa música no mal e porcamente segmentado rádio brasileiro. Tirando o dial paulistano, não há uma segmentação autêntica no rádio brasileiro. Não me venham dizer que é segmentado um rádio comercial restrito a emissoras populares (musicais ou de comunicadores), ouníus, religiosas, pop e rádios gagás contemporâneas. Não há mais rádios de samba (eu disse SAMBA de verdade, não essas porcarias populistas de cabresto que tem por aí), não há rádios de jazz, não há rádios de blues, não há rádios de world music e as poucas rádios de música clássica que restam são estatais, restritas a poucas capitais, basicamente a MEC FM no Rio de Janeiro, a Cultura FM em São Paulo e a MEC AM em Brasília. Aliás, as rádios estatais dão um banho de competência pra cima das rádios comerciais. São boas de ouvir. Mas mesmo as rádios estatais, tirando as clássicas, não são segmentadas. São raras as rádios de música regional, como a Rádio Rural de Porto Alegre. O radialismo rock, então, está em estágio terminal. Dedicada 100% ao gênero, só a paulistana Kiss FM, que mesmo assim se dedica basicamente a músicas e bandas antigas e tem repetidoras em outras cidades que saem do ar constantemente por vários motivos. Rádio que mescle decentemente bandas novas com antigas? Isso não existe mais. O que tem por aí são rádios pop que, em matéria de radialismo rock, são uma fraude.

Até os turistas que estiverem interessados em ouvir MPB (jazz, blues, rock e world music eles podem ouvir em casa) terão dificuldade para encontrar emissoras do gênero. Restam poucas rádios de MPB, como a carioca MPB FM e a rede Nova Brasil FM em outras cidades. Turista que quiser ouvir MPB no Brasil que não seja ao vivo terá que recorrer a CDs, a DVDs, a blu-rays, ao MP3 e à Internet. Mas isso eles podem fazer em casa!

O rádio brasileiro marca gols contra um atrás do outro.

Texto publicado hoje no Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

Confira comentários no Facebook.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Defensores da Rádio Cidade se perdem em nervosismo e contradições


Vendo no Facebook, a reação nervosa dos defensores da fase "roqueira" da Rádio Cidade, retomada há alguns meses, preocupa. Afinal, a emissora, a exemplo da 89 FM em São Paulo, foi marcada pelo fanatismo de seus defensores abertamente reacionários e irritadiços, a ponto das duas rádios serem as primeiras a mostrarem casos de trolagem na Internet.

As duas emissoras deturparam a cultura rock num perfil caricato, estereotipado que agora tornou-se "institucionalizado". Seus defensores agora falam até em "duas culturas rock", como se houvessem dois rocks, um é o "velho, antiquado e intransigente" hoje simbolizado pela Kiss FM, outro "moderno e contemporâneo" adotado pela 89 e Cidade.

Só que essa desculpa só existe no Brasil e, apesar do pretexto de "modernidade", a 89 e a Cidade demonstram uma clara noção de provincianismo, sobretudo por defensores fanáticos que julgam a cultura rock de acordo com seus umbigos.

Sem conseguirem argumentar de forma consistente, os defensores das duas rádios reagem com fúria e com ataques na Internet. Isso porque se acham "superiores" no seu julgamento que tem muito mais a ver com aquele "radialismo de escritório" que lida com números mortos, gráficos e estratégias comerciais, mas não com a realidade do Brasil e do mundo à volta.

Pelo contrário, o que se observa é que os fanáticos reacionários da 89 e Cidade esnobam o mundo, ficam presos no tempo e no espaço e querem que o mundo se submeta ao que só eles pensam e acreditam. Eles não têm paciência em admitir que o mundo hoje não tem a ver com o quartinho infantilizado do "roqueirinho" da 89 e Cidade, o planeta não tem o tamanho de seu umbigo.

Noto que os ataques, a irritação desses fanáticos pseudo-roqueiros se devem por uma série de contradições que seus argumentos desesperados e, muitas vezes, sem muita coerência, surgem e que eles são incapazes de resolver, sobretudo em relação apenas à Rádio Cidade.

A Rádio Cidade se consagrou como emissora pop, e seu pretensiosismo "roqueiro" bastante surreal, contrário à sua história, é atropelado por uma série de fatores que seus adeptos fanáticos não podem esclarecer. E por isso as xingações, a irritação, o medo do "fantasma de 2006" rondar a emissora.

Eu observo a realidade - é incrível como raciocinar virou tabu nas mídias sociais - e já vi muitas pessoas que ouviam rádios como Mix FM, Beat 98, Nativa FM e Transamérica sintonizarem a Cidade. Um público entre o brega e o pop dançante. Paciência e isso vai contra a ilusão publicitária de que a rádio é ouvida por "roqueirões da pesada" munidos de skates e motocicletas.

Para piorar, os argumentos confusos dos "roqueiros" da Cidade apelam, por um lado, para o fato da rádio "não ser mais pop" e, de outro, pelo fato de que a rádio "não ter compromisso para tocar certas tendências do rock". Caem em violenta contradição e transformam a Cidade numa rádio que segue o ditado "não f*** nem sai de cima". Algo como um Ford 1929 correndo na Fórmula Indy.

A Rádio Cidade nem tem estado de espírito roqueiro. Não tem mentalidade nem know how de rock. Sua programação é montada pelas gravadoras, sua linguagem é rigorosamente igual ao de qualquer rádio poperó que a Cidade evita qualquer comparação. Mas os anunciantes sabem muito bem dessa semelhança. Cidade e Mix FM parecem gêmeas siamesas.

Tudo é justificado pelos interesses comerciais, como se isso fosse suficiente. Mas é justamente isso que os executivos de televisão fazem para defender as baixarias televisivas. E aí pinta o nervosismo desses fanáticos ao saber que o mundo não é como os departamentos comerciais das rádios acreditam existir.

Eles falam que a Cidade "mudou", mas é essa "mudança" que soa muito mais conservadora, porque é aquele princípio de "mudar para permanecer a mesma coisa". Se a Cidade continuasse pop, talvez acompanhasse melhor as mudanças ocorridas no tempo com o pop. Talvez perdesse o preconceito contra o pop vendo que ele não é só Backstreet Boys e Britney Spears.

Pelo contrário, se há muito engodo no pop, começam a surgir coisas interessantes: Lorde, Ellie Goulding, Daft Punk, Bruno Mars, Ed Sheeran, e até mesmo o "popão" Robin Thicke soa divertido dentro de suas perspectivas. Gente que parece bem mais instigante que certos "engraçadinhos" do rock noventista que a Cidade (e a 89 FM) tocam pela enésima vez como se fosse "novidade".

Fico muito preocupado com o reacionarismo habitual dos fanáticos da Rádio Cidade. Gente que não quer saber de coerência. No fundo, são pessoas que sempre odiaram a Rádio Cidade e queriam uma rádio só para eles. São pessoas que odeiam rock, odeiam pop, odeiam tudo, e só querem uma rádio para estimular suas catarses emocionais. Nada que seja sério.

Por isso a rebeldia sem causa que se transforma em reacionarismo preocupante - desses que fazem o reacionarismo de Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo parecerem suaves - dos ouvintes da Cidade causam muita apreensão.

Narcisistas, intolerantes e irritadiços, eles desprezam o mundo, a mudança dos tempos, as transformações sociais. Hoje a Cidade (e a 89) é considerada antiquada até para os níveis de rádio de rock contemporâneo. Lá não existe questões de rock novinho versus rock antigo, já que muito do rock dos anos 90 e 2000 é claramente inspirado no rock dos anos 60 e 70.

A irritabilidade desses defensores das duas rádios (Cidade e 89) pode se voltar até contra as duas rádios, como ocorreu em 2006, quando as duas deixaram o rock com a repercussão intolerante e furiosa de seus adeptos, que fizeram queimar o mercado de radialismo rock durante muito tempo.

Daí que os fanáticos da Cidade e da 89 deveriam se preocupar com eles mesmos. Afinal, é sua irritabilidade e suas xingações contra quem não pensa igual a eles, bem mais do que qualquer crítica que as duas rádios recebam na Internet, que irá queimá-las mais uma vez. E da próxima vez poderá não haver volta.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

FIFA quer proibir radinhos de pilha nos estádios da Copa 2014

Como se não bastasse a perda de soberania brasileira na Copa 2014, a dona FIFA pretende proibir a entrada de torcedores com radinhos de pilha nos estádios durante os jogos da Copa. Sob a alegação de que os torcedores poderiam arremessar os dispositivos radiofônicos e as pilhas no campo sobre os jogadores e os integrantes da arbitragem.

Ah, levar celular pode. Vai ver, é porque são bem mais caros e a dona FIFA acha que os torcedores não vão querer se desfazer de seus telefones móveis.

No sábado passado, em jogo-teste para a Copa válido pelo Brasileirão, torcedores foram impedidos de entrar no Estádio Beira-Rio com radinhos de pilha para assistirem a partida entre Internacional e Atlético Paranaense.

Bem se vê que a dona FIFA está se lixando para a cultura futebolística dos brasileiros apreciadores desse esporte. Mas quem foi que disse que a FIFA respeita qualquer coisa deste país?

Rádio de pilha nos estádios brasileiros é rotina desde o advento dos rádios transistorizados. Hoje há quem prefira ouvir as transmissões dentro dos estádios usando celulares que recebem as transmissões, geralmente via FM ou Internet, já que o AM é boicotado pelos fabricantes de celulares. Mas os radinhos de pilha resistem nos estádios, mesmo em menor quantidade.

Fontes da notícia: Rádio Guaíba e Blog Mílton Jung.

Mais comentários no Grupo do Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dados sobre o rádio popular no século XXI

O rádio popular do Rio tem alguns dados interessantes. Quem ouve a FM O Dia, a Beat 98 e a Nativa FM percebe que são, efetivamente, rádios FM. Sucessos populares o dia todo. Já a Tupi AM e a Manchete AM são, efetivamente, rádios AM. São rádios ecléticas. Programas de comunicador, utilidade pública, entretenimento, futebol, etc.

Desde o início do século, a Rádio Globo deixou de ser rádio AM mas não virou FM. Não é AM nem FM, embora esteja fisicamente nos dois dials. Virou uma coisa, assim, híbrida, sem cara, sem carisma. Querem conquistar o ouvinte de FM com essa programação mistureba que não agrada nem o ouvinte de FM nem o ouvinte de AM. O resultado está aí: o ouvinte de AM prefere a Tupi ou outras rádios e o de FM prefere a FM O Dia, a Beat 98 ou a Nativa FM. A Rádio Globo se lasca.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Identificamos algumas AMs do Rio de Janeiro que solicitaram migração para FM

A lista com rádios de todo o país foi divulgada pelo Ministério das Comunicações na manhã de segunda-feira, 28 de abril de 2014. Ela pode ser baixada aqui, em formato PDF. Consultando a lista, é possível identificar algumas AMs do Grande Rio: Fluminense AM 540 (Niterói), Capital AM 1030 (Rio de Janeiro), Mundial AM 1180 (Rio de Janeiro), Record AM 990 (Rio de Janeiro), Copacabana AM 680 (São Gonçalo), Boas Novas AM 1320 (Petrópolis), Sucesso AM 710 (Rio de Janeiro), Popular AM 1480 (Duque de Caxias), Bandeirantes AM 1360 (Rio de Janeiro), Manchete AM 760 (Niterói), Globo AM 1220 (Rio de Janeiro), CBN AM 860 (Rio de Janeiro), Relógio AM 580 (Rio de Janeiro), Roquette Pinto AM 630 (Rio de Janeiro), Tropical AM 830 (Nova Iguaçu), Rádio Livre AM 1440 (Rio de Janeiro), Tupi AM 1280 (Rio de Janeiro), Canção Nova AM 1060 (Miguel Pereira), Metropolitana AM 1090 (Rio de Janeiro) e Tamoio AM 900 (Rio de Janeiro).

Não foi possível identificar algumas rádios outorgadas.

Texto publicado originalmente no Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Muito cuidado quando alguém disser "Vá ouvir MP3"


Virou lugar comum entre radiófilos diversos dizer, quando alguém faz críticas às emissoras de rádio, a frase "Não gostou? Vá ouvir MP3!!", como se qualquer mancada feita por uma emissora FM fosse na verdade um procedimento previsto pelos interesses comerciais da emissora.

Tudo virou pretexto para os tais interesses comerciais. A frase "Vá ouvir MP3", que alguns dizem por boa fé, na verdade vem dos bastidores do rádio, em que qualquer fórmula medíocre é justificada pelos tais "interesses de mercado" ou "pesquisas de audiência".

Foi assim que a TV aberta caiu drasticamente de qualidade. "Não gostou? Vá ver You Tube!!", diria então qualquer rei da baixaria televisiva. Imagine se algum televisivo dissesse, na Internet, sobre as baixarias televisivas, contra alguém que discordasse delas: "Quer programação mais comportada? Vá para a Igreja!!", como se somente igrejas fossem lugares de se defender valores morais relacionados ao respeito e decência humanos. Qualquer lugar é, ou deveria ser.

O que poucas pessoas percebem é que essa frase é muito perigosa. É como se um anfitrião de uma casa dissesse para seu visitante: "Quer casa limpa? Vá para um hospital particular!!", ou então algo que um político pudesse dizer "Quer qualidade de vida? Vá para Marte!!".

O que se pode responder a essa frase "Vá ouvir MP3" é "Não diga isso, que o pessoal sairá gostando". Num contexto em que a imprensa escrita e a televisão perdem muito público, com a revista Veja acumulando pilhas de exemplares encalhados e o Jornal Nacional chegando ao recorde negativo de 18%, o rádio FM não está fora desse contexto.

As notícias sobre rádio confirmam. Só o chamado "Aemão de FM" - programação calcada em noticiários longos, jornadas esportivas e "programas de locutor" - já perdeu tanta audiência que o que se tem de notícia de demissão de funcionários é de se preocupar. E não é mascarar a situação botando sintonias em estabelecimentos comerciais e inventar que deram "100 mil ouvintes" que irá resolver a situação.

Além disso, o que muita gente não entende é que, sinceramente, o rádio FM de hoje está mais provinciano que há 30 anos atrás. Não consegue acompanhar sequer o rádio FM de fora, quanto mais a Internet. Daí que dizer "Vá ouvir MP3" é bastante perigoso. É como se um professor autoritário dissesse para os alunos não assistirem à aula. A turma toda sai da sala gostando, até os "CDF".

O rádio FM já perde audiência e vem alguém dizendo "Não gostou? Vá ouvir MP3!!". É como se desse um tiro no pé. Foi justamente essa desculpa de "interesses comerciais" que fez a TV aberta cair em audiência. Vide a Rede TV!. Alguém imaginaria, há dez anos, que a Rede TV! teria audiência raquítica a ponto de causar demissão de funcionários e atrasos nos pagamentos salariais?

Como "contraponto" da Globo, a Rede TV! seria defendida por "televisófilos" por causa disso. O Pânico na TV era novidade e era quase uma "vaca sagrada" da televisão brasileira. Mesmo os piores programas da TV são ainda defendidos. O "televisófilo" médio ainda defende o humorístico Chaves, o policialesco Cidade Alerta, acha Wagner Montes um "herói", acha Ratinho "cult"...

Isso sem falar dos internautas médios que ainda veem Domingão do Faustão e Caldeirão do Huck, mesmo atacando eles com as "luvas de pelica" das falsas discordâncias, feitas mais para impressionar os outros internautas.

Além disso, dizer "Não gostou? Vá ouvir MP3!!" parece um consentimento com a qualidade que se encontra o rádio hoje. Virou moda o pessoal se contentar com pouco, gostar até do que é ruim e esculhambar aquilo que é sinônimo de qualidade em qualquer atividade humana.

Se for por esse raciocínio, que venham os mecânicos de borracharia de fundo de quintal para fazerem cirurgias nos corações dos brasileiros. Se tudo de errado, é só botar culpa nos pacientes. Se alguém criticar na Internet, é só alguém dizer "Quer bons cirurgiões? Vá para a Alemanha!!". Será que muitos terão coragem de dizer coisas assim?

Por isso a declaração "Não gostou? Vá ouvir MP3!!" soa, para muitos, uma apologia da mediocridade. E, o que é pior, faz com que o rádio FM admita, mesmo sem querer, sua derrota diante da força dos arquivos de áudio e também do You Tube. Daí o perigo praticamente fatal dessa frase. Ela poderá botar muita rádio FM para a falência. Portanto, muito cuidado.

segunda-feira, 31 de março de 2014

"Rede da Democracia": Rádios Globo, Tupi e JB defenderam o golpe militar

O ENTÃO GOVERNADOR DA GUANABARA, JORNALISTA CARLOS LACERDA, EMPRESTAVA SEU DISCURSO INFLAMADO A OUTROS VEÍCULOS DA MÍDIA.

Quem tivesse a capacidade de recordar os acontecimentos de 1963-1964, verá que muita gente defendia o golpe militar que, em 01 de abril de 1964 - mas oficialmente creditada a um dia antes - , tirou do poder o presidente João Goulart.

A lista era coisa de arrepiar. Nomes como Carlos Heitor Cony, Alberto Dines, Rachel de Queiroz, Augusto Frederico Schmidt, Fernando Sabino, Rubem Fonseca, César de Alencar, Hebe Camargo, Carlos Drummond de Andrade estavam envolvidos em campanhas para tirar João Goulart da presidência da República.

Isso para não dizer os então "anônimos" Fernando Collor, Mário Kertèsz e Jaime Lerner, golpistas de arquibancada. Eles hoje passam a falsa imagem de "progressistas", sob o consentimento do PT, mas eram jovens que queriam o "fora Jango", se empolgando em ver algum general no Palácio do Planalto. Os pais de Collor, Arnon de Mello e Leda Collor, militavam no IPES-IBAD.

A defesa do golpe militar, naqueles tempos, era vista por muitos como uma necessidade, e por outros como uma utopia na qual o governo, então imaginado provisório, das Forças Armadas, iria combater a corrupção que supostamente se atribuía aos bastidores do governo Jango.

Na verdade, isso era uma desculpa para combater um presidente cujos projetos de governo estabeleciam sérios limites para o grande empresariado e para os grandes proprietários de terras, além de fazer com que o Brasil estabeleça uma autonomia político-econômica em relação à supremacia dos EUA, naqueles tempos de Guerra Fria entre a nação norte-americana e a antiga URSS.

Uma das campanhas feitas em oposição a Jango foi a Rede da Democracia. Articulada em 1963 pelos empresários Roberto Marinho, Assis Chateaubriand e Nascimento Brito, respectivamente das Organizações Globo, Diários Associados e Sistema Jornal do Brasil, ela também era apoiada pelos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, Rádio Bandeirantes e outros veículos midiáticos.

No Rio de Janeiro, destacava-se as campanhas feitas pela Rádio Globo, Super Rádio Tupi e Rádio Jornal do Brasil, entre outras, para desqualificar Jango e adotar a solução do golpe militar para "resolver a bagunça". A mesma histeria reacionária observada em Veja e que, nos anos 60, já tinha o verniz "racional" difundida nos "institutos" IPES-IBAD, era o tom de todo seu conteúdo.

Havia entrevistas, discursos, propagandas, seja no rádio, na TV, nos jornais, nas revistas. A Rede da Democracia era a resposta à antiga Rede da Legalidade que o então governador gaúcho Leonel Brizola havia articulado em 1961 para pedir a posse de João Goulart garantida pela Constituição da época, a de 1946.

Da TV Tupi ao jornal O Globo, havia toda uma pregação moralista e golpista. E um dos convidados especiais para a festa direitista era o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, que era um dos que mais queriam ver Jango destituído do poder.

As rádios conseguiram repercutir a campanha, já reforçada em março de 1964 pelas diversas "marchas da família" movidas a partir de São Paulo, e que convenceram a sociedade da época a defender o golpe militar. A grande mídia e seus chefões ajudaram muito na derrubada de um governo popular e na construção de uma ditadura que arruinou o Brasil.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Transamérica voltou. Kiss FM está voltando aos poucos

Fora o problema da interferência na comunicação aérea, na terça-feira passada as rádios Kiss FM 91,9 e Transamérica FM 101,3 enfrentaram também problemas com a tensão elétrica fornecida pela companhia distribuidora de energia que atende à cidade do Rio de Janeiro. O resultado: diversos equipamentos do quadro elétrico das duas rádios no Sumaré foram danificados. A Transamérica já consertou seus equipamentos, e voltou ao ar em poucos dias, após a companhia de energia autorizar o religamento. Já a Kiss FM voltou ao ar hoje, mas não na potência total. Nem todos os equipamentos da parte elétrica foram completamente consertados, de modo que a rádio não pode ainda retornar com a potência máxima autorizada, sob pena de ter novamente equipamentos danificados. A expectativa é de que a Kiss FM volte ao ar com potência máxima nos próximos dias.

Rádio Cidade sofre da Síndrome de Michael Jackson


A Rádio Cidade 102,9 mhz está um tanto confusa. Querendo rever parcialmente sua história - ironicamente num programa chamado Cidade do Rock - , a emissora do Rio de Janeiro insiste num perfil "roqueiro" caricato, estereotipado e forçado, que não soa convincente nem supre as necessidades básicas da cultura rock, mesmo para iniciantes.

A Rádio Cidade força a barra porque, mesmo sendo uma rádio que fez história transformando a linguagem do rádio FM, sofreu da frustração de não ter o carisma da Rádio Fluminense FM entre os roqueiros.

A Cidade já tentou por quatro vezes se projetar como "rádio de rock": uma, de forma tímida, entre 1985 e 1989, na carona do Rock In Rio e como laboratório para a 89 FM de São Paulo. Depois veio a experiência de 1995 a 2000, mais pretensiosa mas menos escancarada. Aí veio a rede da 89 FM entre 2000 e 2006. Já a quarta tentativa é a atual, desde o último dia 10.

A Rádio Cidade sofre da síndrome de Michael Jackson. O falecido astro pop surgiu como um simpático cantor soul, que impressionava quando era criança, à frente dos irmãos músicos do grupo Jackson Five. Depois iniciou uma carreira solo de bons momentos, dentro da boa escola soul e embarcou com segurança na disco music e no funk autêntico, sob a ajuda de Quincy Jones.

Tudo estava bem até que, no disco de maior sucesso, Thriller, de 1982, um dos sucessos de Michael foi "Beat It", tocada em arranjo "pesado" com a participação de Eddie Van Halen na guitarra. Foi aí que Michael iniciou seu caminho perigoso, que em parte influiu na sua tragédia.

O cantor passou a sentir uma obsessão em ser "branco" e "roqueiro". Nos discos seguintes sempre colocava uma faixa com guitarrista. Bad, de 1987, "Dirty Diana", teve Steve Stevens, parceiro de Billy Idol. Em Dangerous, de 1991, "Give It To Me" teve a participação de Slash, do Guns N'Roses.

É de Dangerous também a música de trabalho, "Black or White", um "roquinho" cujo videoclipe mostrava Macaulay Culkin fazendo o papel estereotipado da criancinha rebelde cheia de clichês roqueiros, como ouvir som alto e fazer "air guitar" (gestos manuais simulando solo de guitarra).

Michael teve tanta obsessão em ser "roqueiro" que chegou a comprar os direitos autorais do repertório dos Beatles, se valendo da confiança de Paul McCartney, que duetou com ele na música "The Girl is Mine", de Thriller.

E isso influiu até no vocal, que passou a ser berrado, em vez da bela voz soul que marcou canções como "Rock With You", "Human Nature", "One Day in Your Life" e "Off The Wall", além do falsete da música "Don't Stop Til' You Get Enough".

Michael passou a ter uma desesperada mania de parecer "roqueiro" - uma forma de soar como "artista branco" que fez o cantor tomar remédios para clarear a pele - que se casou com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e passou a imitar o então sogro vestindo um macacão semelhante ao que o falecido roqueiro usava nos últimos anos de carreira.

Temos depois, Michael passou a se vestir e a gesticular como Mick Jagger. Com o cantor dos Rolling Stones, Michael duetou na música "State of Shock" gravada com a banda dos irmãos, que havia sido rebatizada The Jacksons, no álbum Victory, de 1984.

A música, no entanto, teria dueto com Freddie Mercury, o finado cantor do Queen, para o álbum Thriller, mas problemas de agenda impediram o lançamento deste dueto. Composto com o guitarrista Randy Hansen, Michael havia bolado um arranjo "roqueiro" para a canção.

Mesmo em músicas não roqueiras, como em "They Don't Care About Us" e "Scream", esta em dueto com a irmã Janet Jackson, Michael tinha obsessão pela "atitude", o que fez com que ele se preocupasse com factoides e com uma personalidade esquisita, um tanto infantiloide, outro tanto pretensamente rebelde.

Curiosamente, Michael Jackson foi um dos nomes da música pop mais tocados pela Rádio Cidade, que já em 1979 dava alta rotação a músicas como "Don't Stop Til' You Get Enough", "Rock With You" e "Off The Wall". A rádio também deu todo o acompanhamento do sucesso de Thriller e mesmo na tímida fase "roqueira" de 1985-1988 não deixava de tocar as faixas do álbum Bad.

A obsessão "roqueira" matou Michael Jackson. Nem todo mundo tem vocação para ser roqueiro. Perseguir a rebeldia como um fim em si mesmo, bancar o "malvado", o "radical", não traz muita vantagem e o que se vê, na Rádio Cidade, é a mesma paranoia da falsa rebeldia adotada por Michael Jackson e uma obsessão forçada pela atitude roqueira.

Mesclando linguagem pop, a Rádio Cidade virou mera rádio de locutores e promoções. Tem departamento comercial enxuto, aumentou seu sinal de transmissão etc etc etc. Com fraca programação musical, a rádio não convence sequer quando tenta tocar bandas "alternativas", até porque, ironicamente, elas seriam muito melhor tratadas por uma OI FM.

Com rádios realmente roqueiras botando para ferver frequências afora - como a Kiss FM e Fluminense AM - , a Rádio Cidade ainda fica colada, no dial, com a emissora pop Mix FM e, ao lado desta, tem a similar Transamérica FM. As duas nem de longe acreditam que se livraram da concorrência da Rádio Cidade, até porque, em matéria de QI, a Rádio Cidade está MAIS POP do que nunca.

Nenhum alternativo e nenhum roqueiro exigente irá ouvir a Rádio Cidade. Também não cairão mais nesse papo cansativo que mais parece disco riscado que diz "pelo menos a Cidade é muito melhor que muita rádio aí...", porque esse papo de se contentar com pouco cansa com a paciência de qualquer um. Da mesma forma que os roqueiros não querem ficar ouvindo somente os "sucessos da Cidade".

quinta-feira, 27 de março de 2014

Transamérica e Kiss FM saíram do ar para manutenção

Na última terça-feira, as rádios Transamérica FM 101,3 e Kiss FM 91,9 saíram do ar por alguns dias. A Transamérica já voltou. A Kiss, não. Nosso amigo Ernesto Pina descobriu a causa e escreveu no Grupo do Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro no Facebook:

Caso Transamérica e Kiss FM: o que ocorre é que a ANATEL observou e notificou as duas emissoras com problemas nas suas portadoras (terceira e quarta harmônica) que estavam invadindo espectro de aviação, e por isso pediu que solucionasse o quanto antes o problema. Quem me passou a info foi um engenheiro da ANATEL na área de Rádios. A Kiss FM 91,9 está aproveitando essa "manutenção" para sondar as rádios ilegais e seus respectivos endereços. Segundo informação da emissora em SP, para poder passa-las a ANATEL e tomar as medidas cabíveis.

A Kiss FM, além de estar fazendo manutenção das portadoras, está investigando essas rádios piratas que estão transmitindo nos 91,9 MHz ou em frequências vizinhas, atrapalhando os ouvintes que querem curtir a programação de classic rock da Kiss.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Em 25 anos, roqueiros se afastaram das rádios comerciais "de rock"

AGORA É A VEZ DOS FÃS DE FOO FIGHTERS E PEARL JAM SE AFASTAREM DAS DITAS "RÁDIOS ROCK" MAIS COMERCIAIS.

A realidade é um tabu para colunistas de rádio e pode ser considerada absurda para muitos internautas. Mas a verdade é que, nos últimos 25 anos, as rádios comerciais que usam o rótulo de "rádios rock", com todo o pretensiosismo de serem "para sempre roqueiras", só conseguiram afastar o público roqueiro ao longo dos anos.

Os retornos da 89 FM, em São Paulo, e da Rádio Cidade, no Rio de Janeiro, apesar do aparente sucesso, apontam para essa tendência. Seus ouvintes estão muito mais interessados em ouvir piadas, game shows e coisas que eles estavam acostumados a ouvir, tipo Charlie Brown Jr., Guns N'Roses, CPM 22, Offspring e Mamonas Assassinas do que os verdadeiros nomes do rock.

A maioria dos comentários daqueles que comemoraram a volta das duas rádios se voltava mais para a irreverência de programas como "Sobrinhos do Ataíde", "Hora dos Perdidos" e "Pressão Total" do que por alguma volta do repertório roqueiro.

Em compensação, a cada dia internautas que defendem a 89 FM e a Rádio Cidade passaram a esculhambar os clássicos do rock, como Beatles, Who e Led Zeppelin, usando a desculpa de que "preferem rock novinho" que não cola sequer em músicos contemporâneos como Dave Grohl, Eddie Vedder, Noel Gallagher e James Hetfield, admiradores confessos do rock mais antigo.

ÊXODO ENVOLVEU DO ROCK DA BARATOS AFINS AOS BEATLES

Desde 1989, quando veio a onda de rádios comerciais rotuladas de "rock", quando várias emissoras pop embarcaram na onda e, sem fazer qualquer adaptação de perfil nem de linguagem, mudaram a planilha musical para o rock, limitando-se aos sucessos empurrados pela indústria fonográfica.

A suposta disposição dessas rádios em tocar bandas alternativas ou mais seminais ou viscerais de rock se dissolveu quando o espaço ao rock que não faz sucesso nas paradas era restrito a programas semanais de uma hora,  afastou muitos fãs de rock que já se sentiram constrangidos com a linguagem pop adotada pelos locutores e pelas vinhetas das emissoras.

Em 1994, a debandada envolveu muitos fãs de rock alternativo mais acessível, como Sonic Youth, Jesus and Mary Chain e Dinosaur Jr., o que fez a 89 FM - que tentou ser um arremedo de college radio entre 1993 e 1994, devido ao auge do modismo grunge - mudar a orientação, sem largar o rótulo "roqueiro", preferindo um "rock mais pop", entre um Offspring e um Guns N'Roses.

A 89 FM já havia sofrido, em 1988, o êxodo dos fãs de rock independente - Violeta de Outono, Fellini, Mercenárias e Voluntários da Pátria - depois que a emissora rompeu o acordo de divulgação das gravadoras independentes, como a Baratos Afins, só trabalhando com as grandes distribuidoras fonográficas.

Foi a grande debandada sentida nas rádios comerciais, depois que várias delas que irradiavam pelo resto do país - como a 96 FM, de Salvador, a Atalaia FM, de Aracaju e a primeira afiliada da 89 FM, em Recife - abandonaram o gênero, devido à baixa audiência.

Depois, ao longo dos anos 90, foi a vez das bandas mais antigas, como Deep Purple, Doors, Jethro Tull e Led Zeppelin estarem envolvidas no êxodo de ouvintes, juntamente com nomes oitentistas como Smiths, Siousxie and The Banshees e, pouco depois, Cult.

A debandada ainda se avançou quando fãs de Beatles, Rolling Stones e Who também pularam fora. Isso já no começo dos anos 2000. Isso enfureceu os produtores da 89 e Cidade, que passaram, na Internet, a esculhambar os clássicos do rock e a brigar com o público roqueiro, o que custou os mais de cinco anos de "suspensão" da programação "roqueira" das duas rádios.

Atualmente as duas rádios voltaram como meras alimentadoras de concertos internacionais de rock, mais pelo departamento comercial e pelas boas relações de seus donos com Roberto Medina e outros chefões da indústria de promoção de eventos internacionais do que por algum valor que elas tinham para a cultura rock que, sinceramente, é nenhum.

Apesar do aparente sucesso - se bem que abaixo do noticiado, num contexto em que rádios FM só conseguem ter, no máximo, 1/5 da audiência declarada no Ibope e outros institutos - , a 89 e a Cidade só estão sendo conhecidas mais pelos seus programas de humor, pelas promoções e pelos programas de jogos e perguntas.

Depois do alarde dado à reprise do programa "Invasão da Cidade", com a Legião Urbana, gravado em 1992, nada mais foi comentado de importante a respeito da volta da Rádio Cidade "roqueira". Em São Paulo, a 89 FM não consegue colocar o rock como principal referencial musical para a juventude, que continua mais voltada ao "funk ostentação" e ao "sertanejo universitário".

AGORA, O ÊXODO ATINGE OS FÃS DE NIRVANA, FOO FIGHTERS E PEARL JAM

E, agora, espera-se uma nova debandada. Além dos fãs de nomes como Iron Maiden, Metallica, Ramones, Clash e AC/DC saírem de fininho e romperem com as duas rádios, agora é a vez de fãs de bandas que eram carros-chefes das rádios comerciais "roqueiras" de 1989-1993, como Nirvana e Pearl Jam, caírem fora de vez.

Percebendo que o tempo comprovou a importância de grupos como Pearl Jam, Nirvana, Foo Fighters e Oasis, e pelo fato de que seus integrantes são admiradores de rock antigo e amigos de muitos veteranos - como a amizade de Dave Grohl com o ex-beatle Paul McCartney - , os fãs de rock dos anos 90 já começam a evitar as rádios comerciais "roqueiras".

Isso é tão certo que, certa vez, no Facebook, um engraçadinho lançou um "meme" - espécie de mensagem simplificada em arquivo de imagem - em que ficava surpreso com a semelhança entre o baterista do Nirvana e o cantor e guitarrista do Foo Fighters, ignorando o fato óbvio de que se trata exatamente da mesma pessoa.

Já dá para perceber que, daqui a cinco anos, até os fãs da Legião Urbana se esquecerão dessas rádios. Até porque o ouvinte-padrão da 89 e Cidade prefere o Charlie Brown Jr. que já tem seus mortos para admiração. E durante muito tempo os fãs de Charlie Brown Jr. esculhambaram a Legião Urbana, para só depois embarcar na saudade por Renato Russo.

E o Rock Brasil hoje migrou para rádios de MPB, coisa que só agora começa a ser parcialmente revertida com um programa sobre rock brasileiro veiculado pela Kiss FM, o programa BR 102, mas mesmo assim restrito aos nomes das grandes gravadoras.

Se os ouvintes da 89 e Cidade também acham que até Mamonas Assassinas é "puro rock'n'roll", já dá para perceber então qual será a próxima debandada. Só sobrará nos cardápios dessas "rádios rock" um Capital Inicial que atualmente está mais pop e se apresenta até em eventos com ídolos brega-popularescos.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Rádio Cidade não tem serventia para a cultura rock


Do contrário do que dizem as informações oficiais, a volta da Rádio Cidade ao rótulo "roqueiro" pouco diz ao fortalecimento da cultura rock, num contexto em que a 89 FM anda enfraquecida dentro do público roqueiro - ela só atrai fãs de pop juvenil que gostam de "rock mais comercial" - e não conseguiu colocar o rock acima sequer do "funk ostentação" no mercado jovem paulista.

Na verdade, a Rádio Cidade, hoje, não tem a menor serventia para a cultura rock. O retorno, ocorrido no dia 10 de março último, encontra uma situação muito diferente daquela de 1995 ou mesmo de 2006. E que está deixando a 89 FM, em São Paulo, com cara de rádio mofada e frouxa.

Em 2006, quando a Cidade e a 89 largaram o rock, a grande mídia ainda exercia sua supremacia sobre a opinião pública. Folha de São Paulo e Veja, já reacionários, ainda gozavam de alta reputação. A Internet estava incipiente e o mainstream da opinião pública estava nas mãos de internautas conservadores, muitos deles bastante reacionários, como os chamados troleiros (trollers).

Além disso, a redescoberta do rock mais antigo e mais alternativo na Internet era incipiente e praticamente restrita ao público estrangeiro. Hoje isso já se reflete muito mais no Brasil, e hoje até pessoas com menos de 25 anos são mais receptivas a nomes como Gentle Giant, Byrds e Seeds.

Naquela época, muitas pessoas não tinham exata noção do que era uma verdadeira rádio de rock e o que era uma falsa rádio de rock. Se tinha o rótulo "roqueiro", tudo era "verdadeiro". Além disso, a visão provinciana, que continua valendo hoje, era muito pior antes, porque qualquer questionamento ao "estabelecido" era alvo de represálias digitais.

Atualmente, o reacionarismo digital foi desmascarado, em boa parte se não por completo, e atualmente se tem mais liberdade para questionar o "estabelecido", até porque o possível reaça de plantão também tem mais risco de "levar uma surra" verbal de outros internautas.

Por isso, a Rádio Cidade volta sem o glamour esperado, apesar do "bom desempenho", como a 89 FM que joga sucessos do rock para fãs de Rihanna e Justin Bieber. Na Rádio Cidade, ocorrerá o mesmo de 1995, com a diferença que ela terá à frente a concorrência da Kiss FM que, em que pese algumas farofices do poser metal, se esforça em se aprofundar na cobertura do rock.

RÁDIO DE ROCK EXIGE PERSONALIDADE, NÃO SÓ "VITROLÃO"

Os tempos são tão outros que as fórmulas adotadas pelo rádio há muitos anos atrás, ainda lançadas como se fossem "novidade" e bajuladas até pelas colunas e portais de rádio do Brasil, são hoje mofadas. O "Aemão de FM", por exemplo, teria sua razão de ser há 40 anos, e hoje nem a linguagem "renovada" da Bradesco Esportes FM consegue atrair audiência.

A baixa audiência, ocultada por um Ibope que ainda mostra rádios com "100 mil ouvintes" - índice inalcançável no contexto de crise midiática de hoje - , já faz diversas rádios demitirem funcionários, o que já ocorreu, no Rio, com emissoras como Bradesco, Band News, Globo e Tupi, apesar de seus "excelentes" pontos de audiência oficiais.

Dentro desse quadro, se a Rádio Cidade e a 89 FM pareciam muito velhas em 2006, hoje parecem tão mofadas que o jeito é elas assumirem que adotam um perfil "mais comercial" e "jovem". Elas desistiram de serem consideradas emissoras "radicalmente rock", depois da gafe de um enfurecido "Roger Strauss", reacionário ex-produtor da Cidade, ter dito que odeia os clássicos do rock.

Mas o contexto em que as duas rádios se encontram é ainda mais distante do universo roqueiro do que se imagina, o que recomenda que elas não mais estejam vinculadas no contexto de rádios de rock, mas no de rádios de pop.

Isso se explica pelo fato de que a linguagem e a mentalidade da Cidade e 89 não diferem muito de uma Mix, Jovem Pan 2 e Transamérica (esta ainda mais decadente, voltada a atender interesses pessoais de DJs e dirigentes esportivos - seu dono e banqueiro Aloísio Faria é amigo de Ricardo Teixeira).

Rádio de rock não se faz só com "vitrolão roqueiro" ou coisa parecida. Também são insuficientes artifícios como vinhetas em que alguém fala a palavra "rock" como se estivesse arrotando, ou um logotipo esperto que coloca esta mesma palavrinha mágica de quatro letras em destaque. Do mesmo modo, são inúteis também declarações de locutores, produtores e gerentes artísticos neste sentido.

MICHAEL JACKSON, JONAS BROTHERS, PINK

O que a Rádio Cidade e a 89 FM têm que encarar e assumir é que seu contexto não tem mais a ver com radialismo rock, mas com o radialismo pop mais convencional. Elas estão num contexto em que Michael Jackson é consagrado na posteridade por ter gravado "Beat It" e "Black or White", e um sem-número de ídolos teen alternam popices dançantes com canções levemente roqueiras.

Hoje fãs de Iron Maiden, AC/DC, Van Halen e outros, mesmo nomes como Ramones e Clash, não querem mais ouvir rádios como a Cidade e a 89, porque elas só tocarão aquilo que já está mais manjado nos discos que esses fãs possuem há anos em suas coleções. Até fãs como os de Oasis, Pearl Jam, Blur e Foo Fighters, só para dizer os mais recentes, estão se afastando dessas rádios.

O que a Cidade e a 89 fazem é apenas tocar um roquinho "acessível" para fãs de pop. Isso é tão claro que, na volta da Cidade, pouco se falou fora a reprise do "Invasão da Cidade" com a Legião Urbana (programa que foi ao ar quando a Cidade ainda tocava Michael Jackson e Madonna na sua programação).

As duas rádios são uma espécie de "Restart radiofônico", e isso nada tem de calunioso. Vá ouvir programas como "Hora dos Perdidos", "Esquenta", "Pressão Total" ou mesmo o "Temos Vagas", e a analogia ideológica com a banda de Pe Lanza é exatamente a mesma.

Enquanto isso, é uma tendência mundial que essa abordagem das duas rádios reflita muito mais o que nomes como Demi Lovato, Jonas Brothers, Shakira, Pink, Kelly Clarkson, Avril Lavigne, o seriado Glee ou mesmo Britney Spears cantando "I Love Rock'n'roll".

Lá fora, existe um público que coloca Offspring e Limp Biskit e Jennifer Lopez e Beyoncé na mesma coleção de CDs e essa realidade já existe há um tempo. O próprio Jay Z que é marido e parceiro de Beyoncé também gravou disco com o Linkin Park, banda similar ao Limp Biskit.

Ninguém posa de roqueiro-jaquetão. Não faz mais sentido aquela atitude contraditória da Rádio Cidade alternar um astral "baixo Gávea" ensolarado e alegre e um mau humor muito mal copiado de gangues de motoqueiros heavy. Ninguém aguenta mais essa atitude barra-forçada, de um radicalismo roqueiro que na verdade não existe.

Portanto, se a Rádio Cidade queria ser conhecida como a rádio que fez história na cultura rock, é bom esquecer. Mesmo as posturas condescendentes com essa fantasia toda, ditas por muita gente boa, se apagarão ao longo do tempo. A verdade não está no que a publicidade do rádio, nem sempre verídica, diz ou quer nos fazer crer. Hoje temos posturas cada vez mais céticas e críticas sobre o setor.

A Rádio Cidade, pelo menos, não voltou com a palavra "rock" no logotipo. Melhor assim. Até porque o que voltou não foi uma rádio de rock, aliás uma coisa que a Cidade nunca foi realmente. O que voltou é novamente uma rádio pop que toca sucessos do rock. E que não supre sequer as necessidades básicas dos fãs de rock, mesmo os mais iniciantes.